domingo, 7 de agosto de 2011

Zaire
Recuperação de valores morais é um imperativo da sociedade


Luanda – A recuperação dos valores morais, cívicos e culturais é um imperativo que requer de todos, individual ou colectivamente, uma resposta para superar as actuais dificuldades, visando a obtenção da paz e harmonia social, defendeu hoje o vice-governador do Zaire para o sector político e social, Rogério Eduardo Zabila.

Rogério Eduardo considerou que os comportamentos imorais que se verificam actualmente na sociedade angolana atingem a paz social, ao ponto de desintegrar famílias que em alguns casos chegam a configurar ilícito penal.

O responsável fez tal consideração  quando discursava na sessão de encerramento do workshop sobre “o resgate dos valores morais e cívicos”, realizado na cidade de Mbanza Kongo, capital da província do Zaire.

“Quando nos referimos aos valores cívicos, pretendemos dizer que na base da nossa acção ou omissão, estão os princípios e regras que devem conformar-se com uma determinada cultura, tais como os hábitos e costumes tradicionais”, sublinhou.

O vice-governador salientou que  o  facto de estarmos integrado num contexto global obriga-nos a observar determinadas regras universais, e avaliar se as normas herdadas das culturas ancestrais ainda se enquadram no contexto histórico actual para não cairmos em extremos.

Neste sentido,  disse ser imperioso promover o equilíbrio entre os valores tradicionais e universais, tais como o direito à vida, à integridade física e os princípios da democracia e da soberania, presentes em todas sociedades e culturas.

A fonte  notou que na actualidade, determinados valores do passado ferem a dignidade da pessoa humana e, por isso, a Constituição da República excluiu essas regras consuetudinárias.

“É preciso termos em atenção esse pormenor sempre que nos referirmos ao resgate dos valores morais, cívicos e culturais, pois nem tudo que no passado era bom continua a sê-lo. Havia valores positivos e negativos que no actual contexto histórico ferem a dignidade humana”, ressaltou.

Por outro lado, observou que actualmente tem-se verificado um fenómeno preocupante na sociedade angolana, consubstanciado na desresponsabilização das famílias, relegando a educação dos filhos à responsabilidade das escolas e do Estado, recordando que a primeira instrução deve partir de casa.


“É no seio da família onde a criança aprende a falar, a caminhar e a imitar o comportamento dos pais, e é nesse processo de aprendizagem que devemos transmitir os valores que julgamos fundamentais para uma convivência sã, e não deixar que a educação fique exclusivamente à cargo do Governo”, referiu. 

  
A tarefa de educação – acrescentou  é de todos e não uma tarefa exclusiva do Governo. É preciso mudar de atitude quanto a instrução das crianças. Não devemos viver em ilhas, pois estamos todos ligados porque a acção do outro terá reflexos em nós”, insistiu.

O vice-governador concluiu a sua intervenção sublinhando que se os angolanos viverem em ilhas, isolados, não conseguirão atingir os objectivos preconizados: a construção de uma sociedade de harmonia, paz e progresso.


O workshop foi promovido pelo Gabinete para a Cidadania e Sociedade Civil do Comité Central do MPLA, no âmbito da campanha nacional sobre “o resgate dos valores morais, cívicos e culturais”, iniciada em Outubro de 2010, sob orientação da directora da instituição, Fátima Viegas.