sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Percurso de Dos Santos lembrado na celebração dos seus 69 anos de vida

Domingo, 28 de Agosto de 2011, José Eduardo dos Santos chega à respeitável idade de 69 anos.
De novo, as celebrações terão o perfil de outros aniversários: um programa público, oficial, preenchido pelo intercâmbio de ideias sobre a figura de Estado, o político, o Presidente, mas também o líder do partido que detém as rédeas do poder em Angola, o MPLA, este por isso mesmo, aliás, o ponto de partida principal das iniciativas que marcam a data; por outro lado, o ritual mais reservado, a celebração em família, com os amigos, o direito sagrado ao espaço pessoal que cargo algum, por mais alto que se mostre, deve obstruir.
O elemento novo das comemorações será, quiçá, o clima de précampanha que não pode deixar de estar naturalmente desenhado no panorama político da nação, embora não tenham sido ainda formalmente convocadas as próximas eleições.
Basta, contudo, o saber-se que em 2012 acontece a consulta popular que abre a hipótese da conservação do poder ou a alternância, a filosofia basilar do exercício da governação em sociedades democráticas.
Sendo esse o momento que se adensa no horizonte, torna-se implícito e inevitável que as celebrações do aniversário do cidadão que representa, afinal, a incógnita maior e mais debatida de qualquer disputa eleitoral, terão sempre uma grande carga política a marcá-las. À direita e à esquerda, o mesmo é dizer, no seio da sua família política, o MPLA, que trabalha obviamente pela manutenção do status quo repetindo o triunfo de há quatro anos nas urnas, e nas hostes também dos seus adversários políticos, a Oposição organizada e todos os que, por opção ou modismo, entendem colocar-se em rota contrária à dos ideais do Presidente da República. A comemoração acontece, pois, a duas vozes.
É líquido, porém, que a quota mais visível e de maior expressão, corresponde à dos que se juntam em grande estilo aos festejos, não à da ala da contestação, esta sempre confinada ao seu peso real no meio em que disputam espaço e notoriedade: uns disparos verbais aqui e ali, umas presenças críticas no circuito editorial, uma ruidosa onda de ataque nos canais do ciberespaço e pouco mais.
Os que dão a cara, com a candeia do MPLA sempre à frente para iluminar duas vezes, procuram os lugares mais nobres, os espaços mais valiosos, os horários mais funcionais e as pessoas de maior relevo social para fazerem do aniversário do seu líder um acontecimento abrangente, com a transversalidade que garante os ganhos políticos tão preciosos em tempos de disputa democrática do poder.
Dino Matross abre “hostilidades”
Nada melhor que um peso pesado como Julião Mateus Paulo, ainda por cima político de prolongada associação ao esforço de dignificação dos angolanos com a sua participação na luta do maquis, para o início das tertúlias de exaltação da figura do aniversariante. Fê-lo na Cidadela Desportiva, em Luanda, numa palestra que visou isso mesmo: lembrar o percurso político de José Eduardo dos Santos, que tem o ponto de partida naquela decisão de um jovem liceal de 19 anos que, à socapa, deixa Luanda e o cerco da PIDE-DGS para se juntar às forças da guerrilha, no vizinho Congo Leopoldville (RDC, hoje). “José Eduardo dos Santos compreendeu, mercê da sua educação familiar, que o seu destino não podia ser individual, mas tinha de ser colectivo, isto é, colocando-se ao serviço do povo angolano”, disse do aniversariante Dino Matross, ele mesmo um velho companheiro de caminhada.
Acto contínuo, o orador referiu-se à “invejável” folha de serviço de José Eduardo dos Santos, que tem o condão de se “confundir com a História recente de Angola” e apresenta momentos altos como a eleição para o Comité Central e Bureau Político do MPLA quando tinha apenas 33 anos.
Entram na mesma estatística histórica, obviamente, a performance do aniversariante enquanto ministro das Relações Exteriores do país acabado de chegar à Independência, que apôs a sua impressão digital no acto de admissão de Angola como membro da Organização das Nações Unidas (1 de Dezembro de 1976), e a sua escolha para presidir aos destinos do país naquele lutuoso Setembro de 1979, na sequência da precoce perda do primeiro presidente dos angolanos, António Agostinho Neto.
Sexta-feira, dia top
Hoje, sexta-feira, 26, acontece em Luanda, no Centro de Conferência de Belas, aquele que pode ser considerado o momento de maior peso do programa de celebrações, o ciclo de debates nomeadamente.
Está agendada uma mesa redonda com o título “A trajectória de um líder filho de Angola, exemplo para África”, que vai ficar marcada, antes de mais, pela valia intelectual e estatura política dos prelectores.
Mais ainda: por ter entre eles, também, Abílio Kamalata Numa, um ex-general da UNITA, de quem não se conhecem simpatias públicas pela pessoa do aniversariante. (Ontem à noite, já sobre o fecho desta edição, O PAÍS soube junto da organização que não se confirmava de modo absoluto a presença do dirigente da UNITA embora fizesse parte inicialmente do programa).
Outros prelectores que será interessante ouvir são Lopo do Nascimento, Cirilo de Sá “Ita” e João Pinto, o primeiro e o último deputados da bancada do MPLA e o terceiro orador, um general com desempenho destacado no âmbito de uma associação académica voltada para o acompanhamento da política mundial, o Centro de Estudos Estratégicos de Angola.
Há uma mobilização dos organizadores – o Comité Provincial de Luanda do MPLAcentrada nos jovens, a quem se pede que se desloquem em grande número ao Centro de Conferências de Belas para saberem mais sobre “o legado do Presidente José Eduardo dos Santos”.
A força do exemplo, o resgate dos valores morais e éticos, aspectos muito em voga na sociedade angolana nos tempos que correm, são apresentados como parte importante do que se vai debater no evento.
Luís Fernando 
opais.net

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