Namibe - Namibe, cidade capital da província com a mesma designação, acolhe, de 23 a 30 deste mês, a VI edição dos Jogos Nacionais Escolares, um evento multi-desportivo anual promovido pelo Ministério da Educação, para aumentar e estimular a participação dos alunos em actividades desportivas nas escolas públicas.
A cerimónia de abertura dos Jogos Escolares, em que participam mais de mil alunos dos 12 aos 16 anos, em representação das 18 províncias do país nas modalidades de andebol, basquetebol, atletismo convencional e adaptado, futebol e voleibol, realiza-se terça-feira no Estádio Municipal Joaquim Morais e vai ser presidida pelo vice-presidente da República, Fernando da Piedade Dias dos Santos.
A província do Namibe, cuja cidade sede recebe o evento sob o lema "Criança prioridade absoluta no desenvolvimento do desporto escolar" e, tendo como mascote, a "Welwitschia Mirabilis", planta única no mundo, tem uma área de oito mil e 916 quilómetros quadrados, uma população estimada em 162 mil habitantes e está dividida pelos municípios de Camucuio, Bibala, Tômbwa e Virei.
Fundada em 1846 e, tendo sido denominada até 1985, "Moçâmedes", o Namibe tem, depois de Luanda e do Lobito, o terceiro maior porto de Angola que se localiza na enorme baía local, bem como um terminal dos Caminhos-de-ferro de Moçamedes (CFM).
Localizada na faixa litoral sul de Angola e limitada a Norte e a Leste pelas províncias de Benguela e da Huíla, respectivamente, a Oeste pelo Oceano Atlântico e a Sul pelo rio Cunene, a região do Namibe é maioritariamente desértica, com um clima fresco e seco, albergando a Welwitschia Mirabilis, espécie de planta que só existe nesta localidade, com aparência de um gigante, símbolo da resistência e sobrevivência da vida vegetal e animal do deserto, que ocupa uma área de 310 mil quilómetros quadrados.
Entre 1665 e 1676, a província do Namibe foi visitada com certa frequência por barcos que navegavam para o sul, rumo ao Oriente, na expansão marítima europeia. Foi o tenente-coronel Pinheiro Furtado que, em homenagem ao então governador-geral Barão de Moçamedes, mudou o nome de Ancra do Negro para Baía de Moçamedes.
Em 1849, deu-se a fundação do distrito, iniciando-se a colonização com a chegada em Moçamedes do primeiro grupo de imigrantes portugueses, vindos de Pernambuco-Brasil.
Foi, assim, fundada Moçamedes, hoje Namibe que, inicialmente, manteve características agrícolas e só a partir de 1860 é que os colonos portugueses (de origem holandesa) e seus companheiros apostaram mais intensivamente no progresso piscatório do distrito.
Traços de toda a sua trajectória histórica podem ser encontrados em monumentos da província, nomeadamente na Alfândega do Namibe, Cadeia Militar, Cadeia do S. Nicolau (Bentiaba), Capela da Nossa Senhora do Mundo, Capela da Praia Amélia, Capela da Quipola, Capitania do Porto do Namibe, Fortaleza de Kapangombe, Fortaleza de São Fernando, Hotel Moçamedes, Igreja Nossa Senhora de Fátima, Igreja S. Adrião, a par do Palácio do Governo.
A província do Namibe é detentora de várias potencialidades turísticas, por seus recursos diversificados, desde a Serra da Leba, cuja estrada de invulgar beleza arquitectónica se serpenteia dentre montanhas, suas magníficas paisagens e cascatas, do deserto ao mar, com clima considerado o melhor do litoral de Angola.
Os principais ícones do turismo no Namibe são: a planta Welwitschia, o deserto, as pinturas rupestres, parques e reservas ecológicas, jardins, quedas d'água, fontes termais, rios, desertos e grutas, a fauna e flora cheias de raridades e as praias, num total de 46 delimitadas e que se localizam no sul, centro e norte da costa do Namibe, ao longo dos 480 quilómetros da costa atlântica, oferecendo ao turista bons momentos de lazer.
Destacam-se o Centro Turístico de Muntipa, as qued’água na Serra das Neves, no Monte Negro, no Parque Nacional do Yona, as praias Amélia, da Lucira, das Barreiras, das Miragens, dos Flamingos, dos Navios e Azul e Baba, a Reserva Especial do Namibe, com 4 mil e 450 quilómetros quadrados e uma fauna com predominância para o rinoceronte preto, a zebra da montanha, o nguelengue, a suricata e o avestruz, bem como a Baía do Mucuio, dos Tigres, das Pipas e a Foz do Rio Cunene, que faz fronteira com a República da Namíbia e com uma colónia resistente de tartarugas verdes.
O Parque Nacional do Yona tem 15.150 km2 e está localizado a cerca de 320 quilómetros da cidade do Namibe, com circunscrição na comuna do Yona, adjacente ao município do Tômbwa. Neste parque podem ser vistos, a partir da localidade de Espinheira, elefantes, impalas, zebras, onças, leões, cabras, nguelengues, avestruzes, orixes e rinocerontes.
A província é maioritariamente povoada pelo povo etnolinguístico Herero, destacando-se os subgrupos Cuvales – os mais numerosos, Dimba, Chimbas, Chimucuas, Cuanhocas e Quendelengos. Esses grupos são tradicionais criadores de gado, com fortes hábitos de nomadismo, devido à constante procura por pasto e água.
Nas actividades de pesca e agricultura empresarial, a maioria dos assalariados são originários do centro do país, ou seja, do grupo etnolinguístico Ovimbundo.
As principais festas tradicionais estão ligadas à etnia local Cuvale: o significado do nascimento e da saúde do bebé (pinta ponge), circuncisão nos rapazes (kuendjes) e a ufukala nas meninas (fico). Este último ritual tem fortes ligações com os subgrupos muquilengue-musso e muhumbi, ambos pertencentes ao grande grupo étnico Nhaneca.
A pesca é outro meio de sustento para o povo do Namibe. O município do Tômbua, que dista a 93 quilómetros da cidade do Namibe, é o maior centro piscatório da província e do país.
Assim, o Namibe está preparado para justificar o estatuto que ostenta de cidade de encantadora para as delegações dos VI Jogos Nacionais Escolares, em que participam estudantes do género masculino e feminino e tendo ainda como objectivos contribuir para o desenvolvimento integral do aluno-atleta como ser social, autónomo, democrático e participante, estimulando o pleno
exercício da cidadania através do desporto.
Os Jogos Nacionais, que se realizam anualmente, por ocasião da segunda pausa pedagógica do ano lectivo, visam ainda possibilitar a identificação de talentos desportivos nas instituições de ensino, desenvolver o intercâmbio sociocultural e desportivo entre os participante, para além de garantir o conhecimento do desporto, de modo a oferecer mais oportunidade de acesso à prática do desporto escolar.
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