domingo, 31 de julho de 2011

Portugal convoca o Brasil para as privatizações


Brasília (AE) - O governo português decidiu antecipar o programa de privatizações e está convocando as empresas brasileiras, privadas e estatais, a participar dos primeiros leilões que serão realizados "ainda no terceiro trimestre" deste ano. Até o final de setembro próximo, o governo de centro-direita, que tomou posse em meados de junho no rastro de uma grave crise financeira, quer privatizar pelo menos as empresas EDP (geração de energia), REN (rede de distribuição de energia) e Galp (petróleo).A companhia aérea TAP, que hoje é 100% estatal, deverá abrir o calendário de privatizações no ano que vemA companhia aérea TAP, que hoje é 100% estatal, deverá abrir o calendário de privatizações no ano que vemO ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, desembarcou na semana passada em Brasília e deixou claro que, entre outras missões, "o sentido da viagem" é a "diplomacia econômica".

Depois do primeiro pacote de privatizações, o governo já tem agendada para o ano que vem a venda de empresas como a TAP (transportes aéreos), ANA (administradora de infraestrutura aeroportuária), CTT (correios, telégrafos e serviços postais de encomendas), Águas de Portugal e setor de estaleiros.

A TAP deve abrir o calendário de privatizações do ano que vem. A empresa é hoje 100% estatal e tem a brasileira TAM entre as interessadas no negócio. O chanceler português veio ao Brasil como porta-voz desse processo porque, entre outros motivos, tem experiência no assunto: foi ele quem, como ministro da Defesa, entre 2002 e 2005, privatizou a OGMA-Indústria Aeronáutica de Portugal, uma empresa vendida à Embraer brasileira.

Portas disse, em um almoço com a imprensa, que o Brasil tem uma "importância vital" na relação econômica com o Portugal e que isso não depende mais do partido que está no poder ou do governo de plantão em Lisboa. "A relação entre os dois países não dependem mais dos ciclos políticos", resumiu. Ele desembarcou em Brasília sem a mala, que ficou perdida no aeroporto de Cumbica, em São Paulo, depois de uma escala no trajeto que começou em Moçambique, na África.

O discurso do chanceler português é recheado de certezas e garantias de segurança jurídica e política para os investidores brasileiros. Portas lembrou que Portugal elegeu um novo governo em meio à crise e que, na campanha, a população foi informada das medidas de austeridade que seriam tomadas. O país recebeu um empréstimo de 78 bilhões de euros e se comprometeu com os fiadores dessa ajuda - o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia - a fazer privatizações e a adotar um programa de equilíbrio fiscal."O mais importante é que essa ajuda tem o apoio até da oposição, o Partido Socialista", disse.
Delegação brasileira em Cabo verde para discutir projectos de cooperação
 
Missão multidisciplinar da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) encontra-se em Cabo Verde para analisar projectos de cooperação técnica bilateral em diversas áreas. A delegação brasileira é constituída por 23 integrantes da missão que representam a Caixa Econômica Federal, a Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o ministério do Meio Ambiente, o Instituto Chico Mendes, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os institutos Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Associação de Esporte e Cultura para Deficientes Visuais.
Do lado de Cabo Verde, participarão representantes dos ministérios do Ambiente, Habitação e Ordenamento do Território e da Educação e Desporto, do Instituto da Investigação e do Património Cultural, da Agência de Regulação e Supervisão dos Produtos Farmacêuticos e Alimentares (ARFA), Agência de Aviação Civil (AAC), Agência Nacional de Telecomunicações (ANT), Comité Paraolímpico, Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (Inida), e Instituto Nacional de Estatística.
No término dos encontros, as partes deverão assinar vários acordos de cooperação técnica entre o Brasil e Cabo Verde, que serão formalizados por ocasião da visita do ministro Marco Farani, que estará em Cabo Verde nos dias 1 e 2 de Agosto para inaugurar o Banco de Leite do Hospital Agostinho Neto, doação brasileira ao estabelecimento hospitalar da Praia.
 
Basquetebol - Raul Duarte defende aposta na formação para o desenvolvimento

Luanda – O secretário-geral da Associação Nacional de Treinadores de Basquetebol (ANTB), Raul Duarte, defendeu hoje, em Luanda, a necessidade de um maior investimento na formação e infra-estruturas, para o desenvolvimento da modalidade em todo o país.
 
 
Em declarações à Angop, no final do II clinic internacional de basquetebol com prelectores espanhol e português, decorrido no pavilhão 28 de Fevereiro, o treinador referiu que os êxitos e conquistas do país são o resultado da aposta nos treinadores, atletas e em condições materiais adequadas um pouco pelo território angolano.
 
Acrescentou que, comparativamente aos períodos anteriores, onde o Estado angolano tinha uma política de grande investimento no desporto em geral, com os resultados positivos ainda colhidos, actualmente urge a necessidade de se reforçar a aposta na modalidade.
 
 
“Depois 1989 com a mudança política do país houve um decréscimo nos investimentos. Começamos a trabalhar deforma diferente do que os outros países. Agora precisamos alterar a situação com maior aposta, principalmente na formação de formadores, nos atletas dos escalões etários e melhores infra-estruturas, como campos cobertos e pisos adequados”, disse o também seleccionador nacional (B).
 
 
Apelou ainda os Ministérios da Juventude e Desportos e da Educação a trabalharem em parceria no investimento do desporto escolar, bem como a premente necessidade da construção e surgimento de novos institutos médios e superiores de educação física e desportos.
 
 
Quanto ao clinic, organizado pela sua instituição, iniciado sexta-feira, com a participação de vários treinadores angolanos, o também técnico da equipa do Libolo considerou bastante proveitoso, a julgar pelos conhecimentos adquiridos pelos presentes.
 
 
No último dia, hoje, a defesa a zona, nas diversas variantes, centralizou as atenções dos participantes. Com a prelecção do espanhol Miguel Hoyo, o tema despertou interesse dos 31 técnicos presentes, de vários escalões, motivando a intervenção dos mesmos para esclarecimento de pormenores.

Os jogadores da selecção sénior masculina que prepara os Jogos Panafricanos marcaram presença e passaram da teoria à prática todos ensinamentos do prelector.

Antes abordaram a construção de sistemas de ataque, desde a metodologia de ensino e o seu aperfeiçoamento, que foi dirigido pelo também espanhol Moncho Lopez, campeão português pelo FC Porto (2011), que falou ainda da defesa individual (campo inteiro) e ataque por conceito.

Ainda na segunda e última sessão os participantes começaram por estudar os exercícios de preparação física aplicadas ao basquetebol e organização ofensiva de uma equipa de alto rendimento (prioridade de vantagem, hierarquia de lançamentos e ritmos de ataque).

Em 2010, o ciclo de palestras contou com 85 participantes provenientes de várias províncias do país. Os treinadores espanhóis Txus Vidorreta e Sérgio Valdeomillos foram os prelectores, na companhia dos angolanos José Carlos Guimarães e Artur Barros.

sábado, 30 de julho de 2011

IABM entrevista o Coordenador do Núcleo de Negócios Internacionais da FDC


A Câmara de comércio, Indústria e Agropecuária, Brasil-Moçambique – CCIABM realizou uma entrevista com o Professor e Coordenador do Núcleo de Negócios Internacionais da FDC – Fundação Dom Cabral, Sr. Sherban Cretoiu, que esteve recentemente em Moçambique.
Após sua visita ao país e contato com o povo moçambicano, a CCIABM realizou algumas perguntas ao Professor, a fim de descobrir a sua opinião quanto às oportunidades de negócios em Moçambique, a sua impressão em relação aos setores econômicos de destaque, a receptividade do povo moçambicano, e quanto às possíveis atividades que a Fundação Dom Cabral pode exercer, no que tange o investimento de empresas brasileiras no país africano.
Segue abaixo  a entrevista realizada, na íntegra:
1)Por gentileza, descreva qual foi a principal impressão deixada pelos moçambicanos e pelo país durante sua visita?
Penso que a principal impressão deixada por Moçambique é a de um país e um povo com muitas oportunidades. Um povo muito simpático, positivo e disposto para transformar essas oportunidades em progresso e desenvolvimento.
2)No que tange o ambiente para negócios em Moçambique, assim como a sua realização, quais são as vantagens oferecidas por Moçambique para o empresário brasileiro? O sr. consegue identificar elementos que facilitam a realização de negócios em Moçambique? Quais seriam?
Acredito que as vantagens para o empresário brasileiro é que Moçambique passa por um franco desenvolvimento, possui estabilidade política e econômica, tem uma cultura muito similar à brasileira, falam o mesmo idioma e possuem uma excelente estrutura de instituições.
Além disso, devido a um baixo nível de produção local, existe uma grande gama de oportunidades nos mais diversos setores.
3)Qual o segmento econômico que seria o mais oportuno para se investir em Moçambique em sua opinião?
Na verdade, acredito que existem oportunidades em todos os setores, entretanto pode-se destacar o setor de construção, de indústrias leves e de bens de consumo. Já que em Moçambique grande parte dos produtos são importados, há uma grande oportunidade também nos setores de alimentos, cosméticos, roupas e confecções.
4)Como o sr. avalia a expectativa dos moçambicanos em relação ao crescimento dos investimentos brasileiros no país? Qual foi a sua percepção em relação à avaliação dos moçambicanos aos investimentos brasileiros já existentes?
A imagem das empresas brasileiras já atuantes em Moçambique é bastante positiva, uma vez que essas empresas contribuem para o desenvolvimento do país, praticam responsabilidades sociais, respeitam as leis locais e utilizam a mão de obra e os fornecedores locais.
Devido a essa imagem positiva, os moçambicanos apresentam uma ótima receptividade a novos investimentos.
 5)Como a Fundação Dom Cabral poderia auxiliar as empresas brasileiras que pretendem investir em Moçambique? E os moçambicanos? Há algum programa de capacitação que o senhor considera adequado para Moçambique?
A Fundação Dom Cabral e seu Núcleo de Negócios Internacionais vêm desenvolvendo programas de treinamentos para diversas empresas que desejam se internacionalizar, ou que estejam passando por este processo.
Esses treinamentos são feitos de uma forma mais geral, ou seja, para todos os países do mundo. Entretanto, com a experiência colhida após essa visita, acredito que a FDC, com o auxílio das instituições devidas, como a CCIABM, pode auxiliar cada vez mais as empresas que queiram se internacionalizar para Moçambique.
Fonte: Departamento de Comunicação CCIABM

Os jovens perguntam: o que é a Democracia

A organização cívico cultural, Centro de Estudo Para o Progresso (CEPP), lança na próxima terçafeira, no auditório da Universidade Lusíada de Angola, o livro “ os Jovens perguntam: o que é a Democracia? Subsidio para a educação cívica e a democracia em Angola I volume, de autoria dos escritores angolanos Domingos da Neves e Henriques Tomás.
O livro integra a colecção “ Democracia em diálogo”. É prefaciado por Dom Tirso Blanco, bispo da diocese de Luena, e lança pistas para um exercício democrático no seio das comunidades, de forma a incentivar a imprescindível responsabilidade pelo poder por parte de quem governa, bem como dos governados.
Na obra os leitores são brindados com interpretações sobre os processos democráticos, com particular ênfase para a democracia participativa que constitui, para muitos estados modernos, o sistema político sobre o qual o Estado de Direito funda a sua vitalidade.
Constata de igual modo, com alguma apreensão, o facto de que nalguns dos chamados ‘Estados de Direito’ existe o grande preconceito de considerar a democracia como um ‘produto de importação’ e com data de validade bastante curta.
Os autores procuram contrapor tais tendências preconceituosas, particularmente em África, onde a situação requer estudos profundos, sobre a democraticidade da sociedade tradicional africana, comparando-os com as culturas de outros continentes.
A adopção desta via é o caminho que facilmente permite chegar a conclusão de que a democracia é um valor universal válido para todos os povos e culturas.
A publicação desta obra enquadra-se num dos projectos concebidos para fornecer subsídios didácticos com intuito de promover a cultura democrática, no âmbito da educação moral e cívica em Angola, uma realidade que os autores da obra entendem dever mobilizar esforços de todos os cidadãos, de diversos níveis, além de exigir uma preparação adequada, técnica e cientifica, bem como investimento serio na educação.
A publicação, financiada pela organização não governamental, Trocaire-Angola, é totalmente impressa em papel reciclado, de forma a promover uma consciência ecológica.
Constituído há cerca de um ano, o CEPP é uma organização cívico cultural, sem fins lucrativo e de utilidade social. Congrega jovens angolanos comprometidos profissionalmente nas mais diversas áreas do saber e propõe-se à animação cultural nos ambientes e comunidades universitários em Angola .
Educação - Ministra ressalta importância da educação física

Lubango - A ministra do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, Maria Cândida Teixeira, encorajou hoje, no Lubango, província da Huíla, os alunos das escolas públicas e privadas a participarem nas aulas de educação física, por ser uma disciplina importante para a antecâmara da prática de qualquer modalidade desportiva.
Ao intervir na cerimónia de abertura dos Terceiros Jogos Desportivos Escolares, que junta mais de dois mil alunos dos 14 municípios da Huíla, considerou importante que as crianças continuem a praticar esta disciplina nas escolas, de modo a permitir que se desenvolvam saudavelmente.
Para Maria Cândida Teixeira, o empenho dos alunos nesta disciplina vai fazer com que consigam despertar e quando forem adultos poderão jogar nos campeonatos desportivos de basquetebol, voleibol, futebol, andebol, basebol e outros.

A prática de desporto no país e não só, disse, "constitui uma bela arte, uma vez que molda o organismo, ganhando equilíbrio estabilidade no domínio psquico-motor, para um crescimento saudável de cada pessoa desta faixa etária".
Realçou também à necessidade de os alunos assegurarem a formação académica, pois é um elemento bastante indispensável na formação do homem.

"Estamos a reduzir a pobreza na província"

"A principal dificuldade reside no escoamento dos produtos para os grandes mercados"
Fotografia: Fabricio Almeida
A situação económica da província do Bié, durante o primeiro semestre, foi considerada razoável e houve grandes avanços nas áreas da saúde, educação, agricultura, assistência social, desporto, cultura e da família e promoção da mulher. Em entrevista ao Jornal de Angola, o vice-governador para a área política e social, Afonso Jorge Assafe, explica como foram possíveis os avanços registados e as áreas que merecem prioridade do governo para reduzir a pobreza na região.

Jornal de Angola - Que avaliação faz da situação social e económica da província?
Afonso Assafe - Assistimos a um crescimento nos sectores sociais e produtivos. A agricultura, desenvolvimento rural e pescas, incluindo o sector do comércio e da indústria têm avanços visíveis. Registamos crescimento de moagens, de carpintarias, serralharias, transportes e telecomunicações.

JA - Que indicadores tem sobre este crescimento?


AA - Os indicadores reais estão ligados às quantidades de projectos que estão a ser executados nos municípios. A estes podemos juntar os projectos que as Administrações Municipais estão a executar no âmbito do programa de combate à pobreza. Há também projectos em execução que estão a melhorar as condições nas áreas da educação e da saúde.

JA - Já é possível falar da redução da pobreza no seio das populações?
AA - Hoje já não dependemos da ajuda externa em termos da alimentação. Os apoios do Ministério da Agricultura aos camponeses e pequenos ou médios produtores estão a fazer com que a produção agrícola aumente e forneça alimentos para consumo interno e para exportar para outras regiões. Estamos até a criar reservas de sementes para a próxima campanha agrícola.

JA - Qual é o resultado do programa de combate à pobreza?
AA - Se tivermos em conta a produção das nossas populações, por exemplo do município do Andulo, podemos dizer que no caso da agricultura é impressionante. Estou há mais de 15 anos a trabalhar no governo do Bié e fiquei impressionado com a quantidade de produtos que estiveram expostos na feira do Andulo. Os municípios do Chinguar, Catabola e Camacupa também demonstraram um enorme potencial agrícola. Os agricultores estão a mostrar a qualidade dos seus produtos e também os resultados do crédito de campanha do Executivo. Isso explica que a pobreza está a diminuir.

JA - Ainda há casos de fome na província?

AA - Quanto à fome, seguramente que existem em alguns casos, porque há sempre pessoas que não querem produzir. O governo aposta nos que querem produzir. O nosso mercado está bem abastecido de produtos do campo com qualidade.

JA - Quais os programas ligados ao combate à pobreza?

AA - O grosso dos programas executados nos municípios tem a ver fundamentalmente com o combate à fome e à pobreza, porque têm maior suporte financeiro. As acções estão a incidir nos sectores da educação, saúde e na criação habitações para os quadros técnicos. As acções do programa foram identificadas pelas Administrações Municipais e aprovadas em reuniões locais de auscultação e concertação social.

JA - Existem fundos específicos para estes projectos?

AA - Sim. Há fundos para os programas municipalizados de saúde onde as administrações têm verbas para intervenções ligadas à saúde pública. Um representante da UNICEF afirmou que no continente africano, só em Angola é que há um fundo específico para o sector da saúde e que vai levar como experiência para os restantes países.

JA - Que políticas estão a ser executados para o escoamento dos produtos do campo?
AA - Nas comunas o maior problema é o mau estado das estradas secundárias ou terciárias. A região de Sachinemuna, no município do Cuemba, está a produzir arroz, mas o acesso é precário principalmente na época chuvosa. O Andulo  está a produzir café arábica, mas também encontra dificuldade para o seu escoamento.
Com o programa de reabilitação de algumas vias secundárias e terciárias levado acabo pelo governo, sobretudo nos municípios de Catabola e Andulo. Com o avanço da reabilitação do Caminho-de-Ferro de Benguela, que entra em funcionamento em Setembro, pensamos que vai ser mais fácil escoar os produtos agrícolas. O CFB atravessa seis dos nove municípios do Bié.

JA - Como está a produção de cereais?
AA - Existem alguns parceiros privados interessados neste sector. Em Camacupa, na área da Catenga, próximo do rio Cuquema, temos mais de 2.500 hectares onde estão a ser produzidos cereais. Quando o embaixador do Japão visitou o Bié mostrou interesse em financiar a produção de cereais aqui na província. Temos bons indicadores nos municípios de Camacupa, Cuemba, Cuito e Catabola, que são grandes produtores de cereais. Há um projecto aprovado recentemente pelo Conselho de Ministros que apoia a produção em grande escala na região de Camacupa.

JA – É possível evitar as importações?

AA - O objectivo é deixarmos de importar produtos que localmente temos capacidade de produzir. Estamos a consumir arroz, farinha de trigo e café importado, quando podemos produzir esses bens internamente. Dentro de três anos esta tendência vai ser invertida, porque temos potencial para isso e os bancos, através dos créditos de campanha, estão a facilitar o processo de produção agrícola.

JA - Quais as principais dificuldades para o desenvolvimento da agricultura?
AA – A principal dificuldade é o escoamento e o governo está preocupado com as vias de comunicação terrestres e ferroviária. Quando o comboio começar a circular a vida da população vai estar facilitada. Claro que os investidores, por mais apoio que se lhe garanta, vão assumir os riscos possíveis dos seus investimentos. É visível a produção praticada pelos camponeses e há necessidade do governo criar políticas para escoamento dos produtos agrícolas.

JA - Como está a reintegração dos antigos combatentes?
AA - O processo está em curso e a maior parte dos assistidos nesta área estão registados. Actualmente, mais de 90 por cento dos assistidos estão cadastrados e recebem os seus subsídios. Há atrasos por falta de documentos para completar os processos.

JA - Os idosos e pessoas vulneráveis estão a ser apoiados?

AA - A direcção da Assistência e Reinserção Social tem a incumbência de apoiar os idosos e grupos sociais vulneráveis. Está a ser construída uma grande estrutura para acolher os idosos.

JA - Que políticas estão em curso para melhorar o sector da saúde no curto prazo?
AA - Houve fuga de quadros da saúde devido aos baixos salários, mas já foi aprovada uma nova tabela salarial. Outro aspecto tem a ver com a colocação dos quadros. Não há condições de alojamento. Por isso é que os programas de combate à pobreza visam minimizar as condições habitacionais. O novo projecto de construção de casas em cada município vai facilitar o processo de recrutamento de quadros para o interior da província. Em relação aos meios, no ano passado tínhamos falta de ambulâncias. Agora distribuímos ambulâncias em todos os municípios para facilitar o transporte de doentes.

JA – Qual é a estratégia para reduzir o número de crianças fora do sistema de ensino?

AA - Na área da educação também estamos bem. Muitas escolas foram reabilitadas e outras estão a ser construídas em todos os municípios ou comunas. Para solucionar o problema de crianças que estudam debaixo das árvores, o Governo Provincial adoptou o sistema da construção de estruturas com materiais pré-fabricados. As estruturas ligadas às instituições religiosas, como as missões, foram reabilitadas e transformadas em escolas para facilitar o ingresso de maior número de alunos. Actualmente temos mais de 600 mil alunos matriculados.

JA - Que projectos existem para melhorar a distribuição da água potável e energia?
AA - A distribuição de água potável já é razoável, mas é preciso fazer ainda mais. Aumentámos o número de perfurações e ligações domiciliárias na cidade do Cuito. Em termos da energia não teremos muitas dificuldades, porque estamos à espera da energia da barragem do Gove e da central de Caluapanda, que entra em funcionamento em breve. Com a falta de indústrias, a maior quantidade de energia vai para os domicílios.

JA - Como está o projecto de construção de condomínios na província?
AA - Existem empresas privadas que têm projectada a construção de condomínios para venda ao público através de crédito bancário, tal como acontece em outras localidades do país. Além dos projectos do governo, há igualmente interesse do sector privado em fazer construções para minimizar o problema da habitação.

JA - O que está a ser feito para a promoção do turismo?
AA - Reconhecemos que o turismo ainda está fraco. Há pouco investimento e temos enormes potenciais, muitas belezas naturais. Temos belas margens de rios, cascatas, lindas paisagens que devemos aproveitar.  Podemos citar como referência  a localidade de Camacupa, que tem a reserva natural do Cuemba, os rios Luando e Ngumba, com quedas longas, o Chitembo, onde nasce o rio Kwanza. São lugares que devem ser aproveitados para o turismo. 
TECNICOS DA EDUCAÇÃO EXORTADOS AO DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL

Benguela - O director provincial da Educação, Ciência e Tecnologia, Joaquim Pinheiro, exortou nesta sexta-feira, em Benguela, aos técnicos do sector ao engajamento na construção de um desenvolvimento profissional, visando assumir uma nova responsabilidade e atitude no trabalho.

Joaquim Pinheiro falava durante o acto de encerramento da formação pedagógica inicial de formadores, promovido pela direcção provincial da Educação e orientada pelo grupo da Cooperativa do Ensino Superior, Politécnico e Universitário (CESPO).

 Segundo o director, a selecção e a pré-candidatura para os formandos teve como objectivo apurar um grupo de técnicos com maior e menor experiência no ensino e na formação da educação, para que o governo possa ter um núcleo de formadores fortes.

 "Sabemos que o sector da Educação é chamado a grandes responsabilidades para formar novas gerações, não é simples, porque não basta ter uma licenciatura ou um curso médio para nos considerarmos profissionais", disse.

Avançou que a dinâmica da vida, exigências profissionais e a velocidade com que as tecnologias debitam cada vez mais na formação e conhecimentos no dia-a-dia obriga a todos profissionais actualizar permanentemente, superar os conhecimentos e construir novas competências.  

Por sua vez, a directora geral da Cooperativa do Ensino Superior, Politécnico e Universitário (CESPO), Márcia Martins de Moura, disse que esta formação representa a concretização do trabalho que ao longo de muitos anos tem vindo a desenvolver em prol de uma melhor educação em Angola.
 
"O futuro mostrará grandes oportunidades, mas este percurso terá que ser trabalhado para se puder atingir os objectivos, a consciência do esforço do caminho do sucesso que só será possível se todos partilharem da mesma força de vontade de fazer a diferença, imbuído no espírito inovador e empreendedor", frisou.
 
Durante 15 dias, os participantes ao curso foram capacitados em métodos e técnicas profissionais, simulação pedagógica, animação de grupos, cursos didácticos e planificação de aulas.

 
Balanço do Executivo foi destaque da semana


Angop
Conferência de imprensa do Executivo angolano
Conferência de imprensa do Executivo angolano

Luanda - A conferência de imprensa do Executivo angolano que teve como objectivo apresentar o balanço referente à sua actividade do II trimestre do corrente ano, foi um dos principais destaques do noticiário político da semana que hoje finda.
 
O ministro de Estado e Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Carlos Maria Feijó, ao intervir na conferência de imprensa afirmou que o Executivo cumpriu com as várias promessas feitas no primeiro trimestre, como o lançamento da nova centralidade do Kilamba, localizada a 20 quilómetros a sul da capital.
 
Carlos Feijó frisou que foi prometido no primeiro trimestre que grande parte do esforço do executivo seria a conclusão da primeira fase da nova centralidade do Kilamba.
 
"Tivemos que fazer um modelo de organização administrativa desta nova centralidade e conseguimos fazer o lançamento da cidade do Kilamba como esperávamos e ao longo do trimestre nos concentramos na criação de condições organizativas e logísticas e se criou um modelo de gestão para aquela cidade", afirmou.
 
Anunciou que se fez igualmente a redução de encargos fiscais que pudessem amenizar os preços das residências que aí foram erguidas.
 
“Portanto consideramos esta promessa como cumprida, sendo que o Governo fez sair um comunicado onde anunciou os critérios de acesso aos apartamentos construídos na cidade de Kilamba cumprindo com a promessa feita ao povo”, realçou.
 
Afirmou que a opinião pública está a espera do preço final de cada apartamento e também está a espera de saber como poderá ter acesso e ter conhecimento ao sistema e comercialização, cujos pressupostos serão anunciados brevemente pela empresa imobiliária encarregue da cidade Kilamba.
 
Realçou que o governo procura encontrar um preço que permita a recuperação do investimento, mas também que se assegure um preço acessível ao cidadão.
 
O encontro com a imprensa que teve lugar no Centro de Documentação e Informação do Palácio Presidencial, à Cidade Alta, em Luanda, contou ainda com as presenças dos ministros das Finanças, Carlos Lopes, e da Construção, Fernando da Fonseca, e o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Massano Júnior.
 
O último balanço do Executivo, referente ao I trimestre deste ano, teve lugar no dia 20 de Abril, durante o qual destacaram-se a abordagem de aspectos versados à reforma do Estado, finanças públicas e política monetária, programa habitacional, planeamento económico, sectores social e produtivo, situação nas províncias e política externa.
 
Ainda durante os últimos sete dias o Conselho de Ministros na sua 6ª reunião ordinária apreciou e considerou positivo o balanço de execução do Orçamento Geral do Estado (OGE) relativo ao I semestre de 2011, devendo o documento ser remetido à Assembleia Nacional para conhecimento.
 
O encontro que foi orientado pelo Presidente da República José Eduardo dos Santos, apreciou igualmente um decreto presidencial sobre a política de concessão de direitos fundiários.
 
O referido diploma estabelece as bases da política nacional para a concessão de direitos sobre a terra, as suas formas de acesso, uso e aproveitamento, segundo indica o comunicado distribuído à imprensa no final da 6ª sessão ordinária do Conselho de Ministros, orientada pelo Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos.
 
Ainda esta semana o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, procedeu ao lançamento da primeira pedra do projecto executivo de infra-estruturas da zona do antigo mercado "Roque Santeiro" e de estabilização das encostas da Boavista e Miramar.
 
O projecto é parte do programa de requalificação do município do Sambizanga, que prevê a acomodação de cerca de 400 mil pessoas e melhorar as condições de habitabilidade da área.
 
A anteceder a cerimónia de lançamento da pedra que assinala o início das obras, o Chefe de Estado assistiu à consignação de empreitadas para a urbanização e infra-estruturação da zona, construção de estradas, túnel, sistemas de drenagem, abastecimento de água e energia eléctrica e cerca de três mil casas.
 
As obras deverão durar 24 meses e incluem o tratamento e estabilização das encostas da Boavista e Miramar.
 
O objectivo do projecto de requalificação é de melhorar a proeminência da área com a introdução de comunidades devidamente planeada, com densidade apropriada, com altos padrões ambientais e instalações comunitárias para serviços médico, de educação, civis, culturais, desportivos e recreativos.
 
O novo desenvolvimento contribuirá para resolver a demanda de habitação urgente e simultaneamente melhorar a imagem económica e social da cidade de Luanda.
 
O projecto promoverá essencialmente casas sociais e de outros tipos e tamanhos, bem como edifícios de cinco a nove andares, num misto equilibrado de estabelecimentos comerciais, hoteleiros, entre outros.
 
O projecto está a ser implementado onde funcionou o mercado Roque Santeiro.
 
Outro assunto que mereceu destaque foi o lançamento do processo de actualização geral do registo eleitoral cuja cerimónia central teve lugar no pavilhão multiuso Osvaldo Serra Van-Dúnem, na cidade do Huambo.
 
Na ocasião o governador do Huambo, Faustino Muteka, apelou às administrações municipais e comunais, autoridades tradicionais, partidos políticos, entidades religiosas e à sociedade civil em geral, a contribuírem com o seu máximo para que o processo de actualização geral do registo eleitoral concorra para o êxito merecido.
 
Segundo o responsável, a actividade é parte de uma tarefa que conferirá a devida legalidade às próximas eleições gerais marcadas para 2012.
 
Frisou que o processo eleitoral em Angola ganhou uma dimensão histórica digna de realce e de respeito, como fruto do fim do conflito armado desencadeado entre irmãos da mesma pátria, tendo conduzido os angolanos à participação no pleito eleitoral de 5 de Setembro de 2008, num ambiente de paz e harmonia.
 
Faustino Muteka lembrou que o processo de actualização geral do registo eleitoral não visa apenas os jovens que completam 18 anos até Dezembro deste ano, mas todos os angolanos em idade eleitoral, sobretudo os que não se registam nas fases anteriores.
 
O acto, que contou com a presença do vice-ministro da Administração do Território para os Assuntos Institucionais, Adão de Almeida, e da presidente da Comissão Nacional Eleitoral, Suzana Inglês, foi testemunhado por centenas de pessoas, entre administradores municipais, autoridades tradicionais, representantes do partidos políticos, entidades religiosas e jovens de ambos os sexos.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Polidesportivo - Dirigente federativo aposta na formação para desenvolvimento


Luanda – O presidente da Federação Angolana de Ginástica (FAG), Auxilio Jacob, defendeu hoje, em Luanda, a necessidade de um maior investimento e aposta nos escalões de formação, para o desenvolvimento generalizado do desporto e manutenção das conquistas do país. 
 
Ao fazer uma avaliação da importância da modalidade no desenvolvimento do desportista, o dirigente garantiu à Angop que a via mais importante ao avanço do maior fenómeno social consiste na elaboração e materialização de projectos extensivos a todo  território angolano.  

“É preciso compreender que não existe outra solução para o nosso desporto, do que a formação de agentes desportivos a todos os níveis. A construção de infra-estruturas adequadas em todos os municípios, bem como de escolas de iniciação prática especializada das mais variadas modalidades”, disse. 
O responsável apontou como exemplo as conquistas internacionais do basquetebol, andebol, judo, atletismo, ginástica, entre outras, que são resultantes da grande política de investimentos do Governo da primeira República, e também da aposta e dedicação dos quadros então existentes.                            
    
“Temos a noção de que ainda estamos a colher os frutos dos investimentos que foram feitos no passado. Por isso, devemos redobrar aposta nos escalões etários, para que os êxitos sejam mantidos e multiplicados. A sociedade angolana deverá estar mobilizada na materialização das intenções e propósitos do governo em benefício do nosso desporto e do país”, frisou.      
 
Acrescentou que, uma atenção especial ao desporto, começando pela prática da ginástica nos estabelecimentos de ensino, permitirá desenvolver o desporto e melhorar a condição de saúde da população angolana. 
 
Como contributo, revelou que sua instituição (FAG) controla mais de dez mil praticantes da especialidade, em 14 províncias do país, com tendências ao seu maior crescimento nos próximos quatro anos.         

A massificação da ginástica em todo território nacional, formação de técnicos e praticantes de alta competição, incentivo e criação de infra-estruturas equipadas, entre outros, fazem ainda parte dos propósitos constantes nos programas da federação.               
        
Realçou a existência de 638 novos institutos politécnicos e escolas do 1º e 2º ciclos com ginásios e equipamentos de ginástica, construídos pelo Governo em todas as províncias do país, bem como 147 técnicos formados pela federação, estando na base da massificação e dos últimos êxitos da modalidade, principalmente nas provas zonais da Região Austral de África.       
    
A nível federativo, o estilo ginástica rítmico e artístico (desportivo), constitui a predominância nos praticantes do país. Para os demais extractos sociais, o especialista de educação física especificou a de manutenção e outras. 
Depois de outros feitos, a selecção nacional infanto-juvenil de ginástica conquistou 12 medalhas no torneio internacional Walvis Bay, que decorreu de 29 de Junho a 4 de Julho na Namíbia, sendo duas de ouro, sete de prata e três de bronze.
 
Mulher - OMA quer ajudar a reduzir mortes maternas

Luanda- A secretaria-geral da Organização da Mulher Angolana (OMA), Luzia Inglês, manifestou hoje, em Luanda, a disponibilidade da instituição em contribuir no esforço colectivo de redução de mortes materno-infantis.
 
Falando na abertura de uma conferência sobre os desafios da municipalidade dos serviços de saúde, disse estarem também dispostas a contribuir para a redução do número de casos de novas infecções de VIH.
 
Luzia Inglês deu a conhecer que a OMA está preocupada com a mortalidade materno-infantil e o VIH-SIDA em Angola, pelo que tem incentivado as comunidades a terem melhor educação.
 
Manifestou disponibilidade na participação e criação dos comité de mortes-martenas e neonatais, a nível do país.
 
Realçou que as acções de redução da mortalidade materno-infantil e o VIH-SIDA em Angola podem vir a ter impacto significativo na diminuição das taxas de infecção. Por isso,  julga ser necessário que alcancem as comunidades, com acções conjugadas. 
   
Apelou à união de sinergias e promoção de uma resposta social activa e eficiente, através do reforço da capacidade da comunidade.
 
Esse trabalho, disse, deve envolver as organização de base comunitária, ONG, associações de jovens, imprensa e organizações religiosas.
 
Participaram do evento, alusivo ao 31 de Julho (Dia da Mulher Africana), representantes da Organização da Mulher Angolana “OMA”, Organização Panafricana da Mulher para África Austral, membros do corpo diplomático, do executivo e de igrejas. 

“Este projeto é feito para durar para sempre”

Foto Carlos Jorge Monteiro
O III Festival das Artes, já a aproximar-se do final, está a registar um sucesso de público, crescente desde a edição inaugural?
Tem sido uma alegria muito grande para todos nós, porque, em todos os ciclos, ultrapassámos todas as previsões, já otimistas, que tínhamos feito. Não apenas estamos a crescer de ano para ano, como estamos a crescer em todos os ciclos, não só na música, no teatro, na gastronomia, nas exposições, é em todas as áreas. O segundo aspeto importante é que estamos a crescer também em experiência, estamos a fazer um trabalho mais bem feito, mais organizado. E sobretudo, mais do que isso, estamos a crescer no entusiasmo do público e no entusiasmo dos intérpretes que vêm a Coimbra.
Alguns que vêm pela primeira vez e que vêm, de uma forma especial, participar neste evento?
Exatamente. Por exemplo, Dieter Koschina [que esteve ontem a encerrar o Ciclo da Gastronomia], se o guia Michelin vale alguma coisa e vale, é o melhor cozinheiro em Portugal. E, que eu saiba, nunca cozinhou fora do restaurante dele, o Vila Joya, a não ser no estrangeiro. E Koschina abriu esta exceção, vindo aqui, também porque reconhece algum mérito que tenhamos em Coimbra, mas sobretudo porque é a primeira vez em Portugal que a gastronomia é tratada como uma das artes, a par de todas as outras.
Mas há outros nomes igualmente importantes?
Por exemplo, Maria Schneider, que fechou domingo a parte musical do festival. Ela é considerada uma das grandes figuras da composição do jazz contemporâneo, maestrina de grande renome, que veio a Portugal a nosso convite, mas que acabou por se apresentar em Coimbra, mas também no Porto e em Lisboa. Mas as palavras que ela disse – perante as 1.300 pessoas que estavam a assistir –, afirmando que nunca na vida dela tinha regido uma orquestra num sítio tão bonito e tão especial como aquele anfiteatro [Colina de Camões] – é uma coisa que a nós nos enche de alegria.
Este é também, ele próprio, um lugar de paixões?
É evidente que sim. O que faz o sucesso deste festival é, em primeiro lugar, claramente, o espaço, que é deslumbrante. Aliás, muitas pessoas que têm estado aqui, que conhecem festivais ao ar livre em toda a Europa, têm dito que nunca estiveram num estiveram num espaço tão bonito, tão adequado. Depois, é claramente a grande qualidade da programação, quer a nível das peças, quer a nível dos intérpretes. Hoje, quando convidamos uma figura como Iréne Theorin, soprano, já lhe podemos mostrar dois anos de trabalho e qualidade. Alguns dos melhores intérpretes mundiais estiveram já aqui e este é um segundo fator importante. O terceiro é a qualidade excecional da preparação do som, que se deve ao Pierre Lavoix, um homem com grande experiência em festivais deste tipo em França. Porquê? Porque os festivais ao ar livre precisam de captação de som. É claro que os puristas gostariam que fosse diferente, mas não pode ser. Em quarto lugar, há a adesão da cidade. Não há nada que determine melhor o sucesso de um festival que o sucesso junto do público.
Esta adesão da cidade determina também a continuidade do projeto?
Este projeto é feito para durar para sempre. Mas não tenhamos ilusões, para durar é preciso um conjunto de condições, é preciso que haja apoios dos mecenas e o sucesso deste festival é conseguir motivar grandes empresas portuguesas a investir culturalmente em Coimbra e não apenas em Lisboa e no Porto.
E o festival tem conseguido furar essa dificuldade?
Temos conseguido. Mas este ano, também não lhe nego, os apoios que obtivemos foram pouco mais de 60 por cento do ano passado. Mas não se notou na programação. Ainda assim, o entusiasmo dos patrocinadores é enorme e vários deles já disseram que querem continuar. Até agora nunca tivemos um tostão do Ministério da Cultura, porque quisemos demonstrar primeiro que tínhamos qualidade, mas esperamos, como é legítimo, contar com esse apoio. A Câmara de Coimbra já disse que voltará a apoiar para o ano. Começam a aparecer entidades da zona de Coimbra a quererem patrocinar.
Reconhecendo a qualidade do projeto?
O reconhecimento da qualidade e uma grande vitória.
Este é um festival que pretende recolocar Coimbra no mapa cultural nacional e internacional?
É verdade. Coimbra tem muito mais qualidade cultural do que se pensa. Mas, em todo o caso, faltava um grande festival de arte de nível internacional. E faltava um festival de arte no verão. Ora bem, Coimbra é em si mesma uma cidade maravilhosa, pouco conhecida apesar de tudo. Ao contrário do que se pensa, o verão em Coimbra não é uma época de grande turismo e devia ser, podia ser. Estes festivais ajudam a isso. Porque, de facto, o sucesso do festival resulta também do fascínio que as pessoas sentem por Coimbra. Repare, um dos aspetos maravilhosos do Anfiteatro Colina de Camões é que à direita, ao fundo, se vê o monte sagrado de Coimbra, com a Torre da Universidade.
E está lá tudo?
Está lá tudo, de facto. Portanto, esse aspeto de trazer ou densificar a oferta cultural em Coimbra e no centro do país é importante. Nós temos aqui [no Hotel Quinta das Lágrimas] pessoas que vieram do estrangeiro para o festival, não serão muitos, mas é já significativo. Ainda há pouco me falaram de um inglês e de um holandês que vieram aqui instalar-se com a família e estiveram a assistir a todo o festival. As rádios espanholas falaram do festival e fizeram um concurso para trazer espanhóis ao festival. Temos tido notícias em muitos meios de comunicação internacionais, que há dois anos não existiam.
A internacionalização vai-se conquistando?
Claro. O objetivo é ambicioso, mas é possível. É fazer do Festival das Artes de Coimbra um festival de referência a nível internacional. Para que se cumpra a profecia do Mário Laginha, que foi quem inaugurou o anfiteatro [Colina de Camões] há três anos e que dizia o seguinte: “vai haver um dia em que, a nível internacional, se dirá entre os artistas – eu já atuei na Quinta das Lágrimas”. Ora bem, é esse o nosso objetivo. E também é nosso objetivo, obviamente, fazer um festival de referência a nível nacional.
Esse é igualmente um objetivo em concretização?
Sem dúvida. Mas não se esqueça que temos festivais que têm 30, 40, 50 anos. Nós temos três anos. E manter 30 ou 40 anos de sucesso é difícil. Este é um esforço que tem de ser continuado. E acreditamos que isso é viável. Portanto, nós temos de ter uma grande ambição, senão não é possível ir tão longe. Agora, temos também de ter modéstia. Porque este, o mercado dos festivais, é um mercado muito competitivo. E deparamo-nos com um problema, em Portugal não há tradição de festivais ao ar livre.
Nem multidisciplinares, o que este é na sua génese?
Exatamente. Esse é o segundo problema que nós temos. Em França, no sul de França, há, no verão, milhares de concertos ao ar livre, centenas de festivais ao ar livre. Também no Reino Unido, na Alemanha, nos países nórdicos, em climas muito mais difíceis. Em alguns sítios, as pessoas vão para os festivais de galochas e chapéu-de-chuva.
Mas vão?
Vão. Mas em Portugal não há essa tradição. Os puristas melómanos não o consideram assim. Houve um crítico que disse “mas que pena este festival não ser feito dentro de uma sala”. Eu diria, que sorte não o ser. Porque a Maria Schneider não diria o que disse se o festival fosse numa sala. Aliás, em Coimbra não há nenhuma sala que possa levar 1.600 pessoas, como aconteceu com a Orquestra Gulbenkian. E o que acontece é que um festival ao ar livre é uma coisa diferente de um festival dentro de uma sala. E os dois têm o seu papel. Os maiores artistas mundiais, no verão, fazem festivais ao ar livre. Há festivais ao livre no mundo que chegam a ter 10 mil, 15 mil espetadores. Os festivais dentro de uma sala são feitos com todas as condições acústicas. Ao ar livre, apesar das condições deste espaço serem magníficas, nunca será a mesma coisa. Um fundamentalista da música que diga “não se pode ampliar o som”, nunca vai gostar do Festival das Artes. Mas, felizmente, os amantes da música gostam. Aqui e em todo o mundo.
E a multidisciplinaridade?
É uma característica que, por enquanto, nos prejudica. Porque os jornais estão organizados por áreas artísticas, não têm nenhum jornalista que trate todas em conjunto. É evidente que o Citemor ou o Festival de Almada têm muito mais de mediático do que nós. Mas o que nós temos de especial, numa coisa única em Portugal, é um festival temático. O que é um desafio muito grande.
Que torna mais difícil a programação?
Muito mais difícil. Vamos imaginar que optávamos pelo criador musical que faz 100 anos ou 200 anos. Todas as entidades musicais no mundo estão a fazer esse músico. Era mais fácil programar, mas também não tinha tanta graça. A qualidade da nossa programação é um desafio, mas também é uma grande alegria.
Neste festival há também uma ligação forte à cidade e às suas entidades culturais?
E vai aumentar. Essa é uma aposta que começamos devagar, também porque ao princípio as entidades culturais da cidade olhavam para nós com algum ceticismo. Gradualmente, isso foi-se alterando. E hoje temos o apoio e trabalhamos com entidades sem as quais este festival também não podia ser feito: o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, o Museu do Chiado, o Teatro da Cerca de São Bernardo, a Casa da Escrita. O ano passado, tivemos o CAV. A nossa aposta é crescente. E também é a de puxar pelos hotéis na cidade, o que já está a acontecer.
A viagem, tema do próximo ano, é amplo e permite projetos novos?
A viagem – tema muito motivado pelos 440 anos dos “Lusíadas” – vai permitir-nos um desafio que queremos lançar a todos, mesmo todos os restaurantes de Coimbra: durante a quinzena do evento fazer um grande festival de cozinha exótica. Os portugueses foram pelo mundo fora e levaram e trouxeram muito. Queremos ser capazes de fazer em Coimbra um grande festival gastronómico de cozinha indiana, brasileira, japonesa, angolana, moçambicana, de Cabo-Verde, da Guiné. E, desta forma, criar o hábito e mantê-lo. Mas também conseguir que outras entidades programem para essa quinzena iniciativas sob o mesmo tema ou a propósito dele. O objetivo é fazer deste um grande festival que motive outros festivais em Coimbra.
Falou de ambição. Coimbra precisa de pensar e agir com ambição?
Mas Coimbra tem ambição. E este festival é a prova disso mesmo. Este é um festival da cidade. As pessoas que montaram este festival, vivem apaixonadamente a cidade. A minha mulher [Coimbra Castel-Branco] foi a autora do espaço e sem ela não havia festival. Eu. A secretária-geral da fundação [Inês de Castro], a engenheira Teresa Costa Neves, a alma dos bastidores deste festival. A Margarida Mendes Silva, uma figura de referência da cultura de Coimbra. E já vamos em quatro. E depois há mais quatro apaixonados por Coimbra, que conheciam mal. E se não fosse o apoio da Câmara de Coimbra, das instituições locais, do Conservatório de Música, o ano passado da Orquestra Clássica do Centro e de outras entidades, este Festival não teria o sucesso que tem.
Empresas do sector TICE têm margem para progredir


estudo «Produtos e Serviços TICE de Tecnologia Nacional: Diagnóstico e Estratégia» apresenta o estado do sector de tecnologias de informação, comunicação e electrónica em Portugal e aponta várias medidas para melhorar a competitividade à escala mundial 

O sector de tecnologias de informação, comunicação e electrónica (TICE) representa 8% das exportações, 2% do emprego nacional e 6% do investimento. É também um dos mais expressivos em matéria de inovação e desenvolvimento (I&D) empresarial, com um peso de aproximadamente 24%.




Por segmento, os equipamentos representam 98% das exportações do sector de TICE; o software e os serviços de TI, 93% das empresas e 60% do emprego; as telecomunicações, 79% do investimento, 62% do valor acrescentado e ainda 54% do volume de negócios gerado.

Apesar da recessão mundial, espera-se que em 2011 o mercado de tecnologias de informação cresça acima dos 7% e passe a valer mais de 3 triliões de euros. O diagnóstico do sector está traçado no estudo «Produtos e Serviços TICE de Tecnologia Nacional: Diagnóstico e Estratégia», realizado pela consultora Augusto Mateus & Associados para o Pólo de Competitividade das Tecnologias de Informação, Comunicação e Electrónica (TICE.pt).

Para Augusto Mateus, «este estudo pode marcar o arranque concertado de posição das TICE nacionais, aproveitando o enorme potencial de crescimento deste sector». O consultor considera que «Portugal precisa de apostar cada vez mais na sua capacidade de criar valor acrescentado através de serviços e produtos inovadores, que estão a ser criados e desenvolvidos por empresas portuguesas».

O estudo divulga ainda 19 medidas de políticas públicas para a promoção da competitividade e da internacionalização do sector das TICE (ver caixa). A análise realizada pela Augusto Mateus & Associados constata que no passado recente do sector das TICE português, em matéria de produtividade, houve uma evolução ligeiramente favorável: o valor acrescentado bruto (VAB) foi de 3%, e cresceu mais do que o emprego (2%). Para isso, contribuíram os subsectores de serviços de TI, com o VAB a crescer acentuadamente (17%). Em contrapartida, nos serviços de telecomunicações e nos equipamentos TICE, a performance registada foi má, dado que o VAB caiu ou estagnou e o emprego caiu.

A evolução comparada do VAB e do volume de negócios nas TICE portuguesas no passado recente mostra uma diminuição do grau de transformação deste sector. Esta realidade resulta do padrão de evolução da produção de equipamentos TICE e, em menor grau, dos serviços de telecomunicações.

Exportações aumentam
A análise da evolução comparada das saídas e do volume de negócios no sector das TICE português em anos recentes permitiu concluir que este sector tem vindo a aumentar a sua orientação exportadora. Para este padrão global contribuiu sobretudo a dinâmica exportadora observada no subsector de serviços de TI (40%), muito embora a dinâmica registada nos equipamentos TICE, a este nível, não tenha sido menosprezável (10%). Ao invés, os serviços de telecomunicações têm estado em claro contraciclo com os restantes subsectores TICE (-20%), dada a retracção nas saídas registadas em anos recentes. É também de destacar o seu contributo indirecto enquanto suporte para as actividades de I&D desenvolvidas noutros sectores, designadamente nos serviços financeiros, em matéria de inovação de processos, organizacional ou de marketing. Isto acontece particularmente nas actividades ligadas aos serviços de telecomunicações e à consultoria e programação informática, sendo menos significativo nas actividades ligadas aos equipamentos e software.

Os lugares cimeiros no ranking de países de destino das saídas do sector das TICE português são ocupados pela Alemanha (24%) e pela Espanha (16%). No período 2004-2010, assinala-se o aumento da importância relativa da França (4% para 10%) enquanto país de destino das saídas portuguesas de TICE, em contraponto sobretudo com a redução da expressividade do mercado norte-americano (13% para 4%). É ainda interessante observar a importância do mercado angolano, que cresceu de 2% para 6%.

Pontos fortes e oportunidades 
Para saber o estado estratégico do sector TICE português, os autores do estudo fizeram uma análise swot e concluíram que há vários pontos fortes pontos fortes definidores da qualidade deste sector em Portugal. O primeiro diz respeito ao grau de sofisticação do mercado nacional de TICE. Esse grau de sofisticação encontra-se nas boas infra-estruturas de rede existentes, nos operadores de comunicações sofisticados, nos níveis significativos de investimento em I&D, na presença relevante de IDE qualificado e nos elevados índices de acessibilidade e conectividade do País.

O estado avançado do e-government e das soluções de mobilidade – como portagens, sistemas de navegação, sistemas de bilhética, e-learning –, assim como a grande diversidade, complementaridade e abrangência de competências no sector são aspectos igualmente positivos.

As recentes apostas nas áreas de educação, saúde, energia, mobilidade e e-government, o empreendorismo e a criatividade do sector das TICE, que está apostado em continuar com uma dinâmica de crescimento em Portugal e no exterior, nomeadamente nos segmentos de serviços de TI e software, são aspectos também valorizados, assim como o facto de o mercado nacional servir como um laboratório quase perfeito para desenvolver e testar novos produtos e novas tecnologias.

A mão-de-obra qualificada, com grande versatilidade, elevada empatia cultural e a preços competitivos, a qualidade das instituições de ensino superior e de I&D, incluindo instituições de interface (IT, INESC Porto, INESC ID, IPN, CCG, ISR, FCCN, TECMINHO, CCG), e o acesso privilegiado a mercados de língua oficial portuguesa com elevado crescimento projectado complementam a lista de pontos fortes.

A análise swot abrange ainda um conjunto de oportunidades que o sector pode aproveitar, entre elas, a importância estratégica assumida pelas TICE nas economias desenvolvidas e emergentes, dado o avanço da sociedade do conhecimento; as apostas públicas na Europa e em Portugal em projectos de I&D ligados às TICE e o crescimento acelerado das economias emergentes, com reflexo na procura de produtos e serviços TICE.

Há uma tendência global para a especialização e para a aposta em nichos de mercado globais. Neste âmbito, a expansão do offshoring e do nearshoring de serviços TI e de telecomunicações na Europa constitui uma oportunidade para as empresas que operam em Portugal.

O forte desenvolvimento dos mercados TICE nalguns países de expressão portuguesa, nomeadamente no Brasil e em Angola, a mudança tecnológica que o sector está a sofrer, com a introdução de novos conceitos e tecnologias como a cloud computing, as redes de nova geração, a convergência tecnológica, a mobilidade, o RFID, o multiple-play, as redes sociais ou a nanotecnologia, e a inovação de áreas como a saúde, educação, transportes, energia, turismo, e-government são oportunidades que as empresas devem saber aproveitar.

Ameaças e pontos fracos 
Como não há bela sem senão, uma análise swot também é constituída por ameaças e pontos fracos, e no caso do sector TICE esses pontos existem. No que diz respeito às ameaças, o estudo faz referência ao aumento acelerado dos níveis de conectividade e de sofisticação na utilização das TICE pelas economias emergentes, ao mesmo tempo que nas economias desenvolvidas se verifica uma saturação dos mercados tecnológicos, existindo por isso um baixo potencial de crescimento futuro destes mercados, sobretudo em equipamentos e serviços com baixo grau de diferenciação e inovação.

A crise económica e financeira no mundo desenvolvido, em particular na Europa e em Portugal, a emergência de novos modelos de negócio nas TICE com propensão à grande escala e a deslocalização de multinacionais completam o quadro de ameaças.

Outros pontos fracos que merecem atenção e devem ser melhorados estão relacionados com a insuficiente orientação para o exterior do sector TICE português. Existe uma oferta indiferenciada e de baixo valor acrescentado, não obstante os desenvolvimentos mais recentes no software e nos serviços em matéria de IDE. Há ainda problemas de imagem global do País; os mercados internacionais não associam Portugal a tecnologia nem a um país inovador. A estes factores acresce a falta de players nacionais de dimensão, com massa crítica e capacidade para marcar presença em concursos internacionais e para alavancar a estrutura das nossas PME.

Sente-se igualmente uma disponibilidade reduzida de novos recursos humanos qualificados nesta área e as empresas TICE têm um grau de relacionamento baixo com as instituições de ensino superior e as instituições de I&D.

A tudo isto junta-se a baixa capacidade do sector TICE nacional para desenvolver software e soluções TI escaláveis, passíveis de serem produtizados e vendidos internacionalmente, devido a debilidades em matéria de gestão de produto, marketing, vendas e valorização económica da I&D e da PI.

De referir igualmente as questões relacionadas com a incapacidade de o sector desenvolver projectos de carácter integrado e distintivo, alavancadores de negócio internacional; a existência de debilidades do sector em matéria de capital de risco e de captação de investimento internacional; a falta de concentração e de focagem de apostas no sector TICE em Portugal, indutora de dispersão de iniciativas, esforços e recursos em iniciativas de apoio; a presença de demasiadas estruturas representativas do sector TICE português, com consequências nas estratégias de eficiência colectiva em curso.

Medidas de política pública para promoção da competitividade e internacionalização do sector 

1 – Crédito fiscal em sede de IRC de 10% para grandes empresas e de 20% para PME, para investimentos em internacionalização, I&D e inovação e para processos de concentração e fusão empresarial.

2 – Redução pronunciada da taxa social única, mais forte no sector TICE em face da sua elevada intensidade de utilização de recursos humanos altamente qualificados.

3 – Incentivos fiscais em sede de IRC a multinacionais a operar em Portugal que funcionem como canais privilegiados de distribuição global de produtos, software e serviços TICE nacionais (redução da taxa base e/ou abatimentos à matéria colectável, indexados às vendas efectuadas).

4 – Reforço da dimensão financeira dos sistemas de incentivos de base empresarial no contexto da actual programação estrutural, dos 10% actuais para 30%.

5 – Dar prioridade em matéria de concursos e dotações orçamentais (mais de 2/3) e aumentar (5% a 10%) os incentivos financeiros dos projectos de cooperação ou co-promoção e dos projectos individuais desde que validados pelas EEC.

6 – Duplicação do peso dos vales I&DT e Inovação nos sistemas de incentivos empresariais.

7 – Criação de uma nova tipologia de projecto nos sistemas de incentivos associada exclusivamente à contratação pelas empresas de quadros especializados para actividades de I&D, inovação e internacionalização.

8 – Reforço da articulação entre os sistemas de incentivos FEDER e os apoios à formação profissional específica, orientada para as necessidades do TICE.

9 – Duplicação do peso dos mecanismos de engenharia financeira (garantia, contragarantia, capital de risco) na programação estrutural, dos actuais 5% para 10%.

10 – Apoio técnico e financeiro à preparação de candidaturas a projectos comunitários de I&D e inovação na área das TICE.

11 – Tributação mais favorável (indexada abaixo da melhor taxa-base na UE) sobre as mais-valias geradas em capital de risco investido nas TICE.

12 – Flexibilização, simplificação administrativa e orientação para o acompanhamento estratégico e resultados dos incentivos financeiros e fiscais, condicionando o valor final dos mesmos à concretização de metas previamente propostas (VN, VAB, produtividade, exportações, criação de postos de trabalho qualificados, etc.).

13 – Diferenciação sectorial, nos sistemas de incentivos, dos patamares mínimos de elegibilidade e selectividade, por fileiras de actividades económicas.

14 – Criação da figura de “Projecto de Interesse Nacional”, acelerando processos e agilizando incentivos, para iniciativas de I&D experimental e inovação na área de TICE, que revelem fortes efeitos demonstradores.

15 – Alargamento de numerus clausus nas áreas TICE, devidamente articulado com um ajustamento mais efectivo entre a oferta formativa e as necessidades previamente inventariadas das empresas.

16 – Apoiar a formação e a reconversão profissionais de recursos humanos com níveis de habilitações intermédios e superiores no sector de TICE nacional.

17 – Criação de um sistema expedito de informação que identifique os processos e os procedimentos necessários ao investimento directo em cada mercado-alvo, facilitando a internacionalização das empresas por esta via.

18 – Promoção de uma aproximação ou até fusão até 2015 das estruturas associativas e representativas do sector das TICE nacional e da sua articulação efectiva com o TICE.pt.

Recomendações dirigidas às políticas públicas e ao pólo de competitividade TICE.PT 

– Utilização da política fiscal como instrumento não só ao serviço da redistribuição de rendimento, mas também da definição e concessão de incentivos fiscais em sede de IRC (redução da taxa base e/ou abatimento na matéria colectável) nas seguintes situações: exportações e outras estratégias de negócio internacional; I&D e inovação; reforço de capitais próprios/capitalização; concentração e fusão empresarial, para ganho de escala e massa crítica.

– Redução pronunciada da taxa social única reforçando, por essa via, em paralelo com outras medidas e estratégias indutoras de eficiência e produtividade, a competitividade-custo das empresas portuguesas, enquanto condição necessária à sua afirmação internacional.

– Reforço da dimensão financeira dos sistemas de incentivos de base empresarial no contexto da actual programação estrutural (e com efeitos de demonstração também para o futuro quadro de programação estrutural 2014-2020), num cenário em que alguns projectos de maior envergadura serão adiados ou até abandonados, de crescentes dificuldades orçamentais no apoio à competitividade, de gradual dificuldade no acesso ao capital alheio, em condições competitivas, e de falhas de mercado que afectam o risco e a rendibilidade das actividades transaccionáveis.

– Dar prioridade e/ou aumentar, no contexto dos sistemas de incentivos de base empresarial, os projectos de cooperação conjuntos e em co-promoção e os projectos individuais, desde que enquadrados em pólos de competitividade e tecnologia e noutros clusters.

– Alargamento e aprofundamento da experiência dos Vales I&DT e Inovação dos sistemas de incentivos do actual QREN. Este tipo de instrumento fomenta a tão desejável articulação entre o tecido empresarial e as entidades do SCTN, contribuindo para a emergência em Portugal de um verdadeiro mercado de serviços técnicos e tecnológicos, congregando as necessidades do tecido empresarial com o know-how especializado e qualificado das entidades do SCT. O seu carácter simplificado, a par dos baixos montantes de apoio que lhe estão associados, permite fazer intervenções muito alargadas, sem dotações nem custos burocráticos e administrativos significativos.

– Utilização dos mecanismos de garantia, contra-garantia e caucionamento mútuo, co-financiados também pelo FEDER, na facilitação do acesso por parte das empresas ao capital bancário alheio.

– Criação, afirmação e/ou consolidação de fundos de investimento e/ou de capital de risco, alavancados por capitais privados, nacionais e internacionais, públicos e pelo FEDER, indutores de uma nova lógica desejável de apoio a start-ups, de qualificação e redimensionamento empresarial e de inovação e expansão internacional.

– Utilização do public procurement como instrumento privilegiado para promover e valorizar as soluções e os projectos nacionais nas áreas TICE, desde que devidamente enquadrado na política de concorrência da UE.

– Alargamento de numerus clausus nas áreas TICE para induzir um aumento significativo da oferta de diplomados nestas áreas no nosso país.

– Apoio proactivo à estruturação e consolidação de redes de cooperação, envolvendo empresas, universidades, centros de investigação e infra-estruturas de suporte (e procurando também um maior entrosamento com fornecedores de tecnologia e com clientes), aproveitando as características particulares do País para o desenvolvimento de projectos-piloto e promovendo depois a criação de massa crítica para a qualificação e diferenciação da oferta nos mercados internacionais.

– Favorecimento a uma aproximação forte e/ou até fusão entre as estruturas associativas e representativas do sector nacional de TICE, em que a lógica de cadeia de valor, produtora de soluções, diferenciadas e de elevado valor acrescentado, escaláveis a nível global e de pólo de competitividade internacional, se sobrepõe às diferenças sectoriais, de processos produtivos e de tecnologia.

– Promoção da articulação do TICE.pt com outras estratégias de eficiência colectiva, designadamente o Portugal, o PCT da Energia, o PCT do Automóvel e Mobilidade, o PCT das Tecnologias de Produção, o PCT, bem como o das Indústrias Criativas.

– Acompanhamento estratégico e avaliação do TICE.pt e das outras estratégias numa base de médio e longo prazo e desejavelmente articulados. Promover a sua afirmação gradual enquanto parceiros privilegiados das agências públicas de suporte à inovação, competitividade e internacionalização das empresas portuguesas na identificação, construção e acompanhamento de iniciativas de investimento e desenvolvimento empresarial, na detecção de oportunidades de parceria, de desenvolvimento tecnológico e de negócio internacional e até na avaliação de projectos empresariais, identificando e seleccionando para o efeito peritos em cada uma das áreas relevantes.

– Reforço claro e efectivo do papel do IAPMEI, AICEP e da AdI enquanto agências públicas que suportam e executam políticas de apoio à inovação, competitividade e internacionalização das empresas portuguesas, acompanhando mais de perto o tecido empresarial na detecção de oportunidades, na estruturação de ideias e na configuração e desenvolvimento estratégico de projectos de investimento.
 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Mulheres e crianças são vítimas dos conflitos que assolam África

Mulheres e crianças são vítimas dos conflitos que assolam África Noventa por cento das mortes resultantes dos conflitos armados nos Últimos anos em áfrica são de civis e oitenta 80 por cento destes são mulheres e crianças, revelou um documento da Associação para o Desenvolvimento da Educação em áfrica (ADEA).
O relatório, produzido no quadro de uma Mesa Redonda sobre “Educação, Paz e Desenvolvimento” que decorre desde terça-feira em Kinshasa, RepÚblica Democrática do Congo (RDC), indica que, nos Últimos dez anos, dois milhões de mulheres e adolescentes foram mortas em conflitos armados ou outras situações de violência.
Cerca do dobro deste nÚmero, prossegue o documento, “ficaram gravemente feridas ou incapacitadas para toda a vida e milhões foram obrigados a assistir ou a participar em actos horríveis de violência, ao passo que as pessoas que sobreviveram ficaram vulneráveis, abandonadas e expostas ao serviço militar”.  O comunicado cita dados  do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados sobre a situação em áfrica, que demonstram que os conflitos  “separaram milhões de crianças dos lares e desintegraram famílias e comunidades, deixando-as expostas à exploração sexual e ao tráfico de seres humanos”. Estes horrores, indica, “são exacerbados pelas limitadas ou inexistentes oportunidades de educação, que deixam os adolescentes amedrontados, desgastados e frustrados pela vida”.
O documento refere que o impacto dos conflitos   “passa pelo reconhecimento do papel que a educação desempenha  na sociedade”.

Educação financeira do BNA chega ao bairro Hoji ya Henda


Chico Caxico animou a plateia
Fotografia: DR
A “campanha de educação financeira” do Banco Nacional de Angola (BNA) percorreu, no sábado último, o bairro Hoji Ya Henda, em Luanda. O teatro fez mais uma vez parte da “campanha”, tendo contado com as exibições dos actores Papá Ngulo e Chico Caxico, nos personagens de Donas “Garrafona” e “Invejada”. O programa de sensibilização contou também com a participação dos “extensionistas”, activistas formados pelo BNA, que interagiram com os habitantes da zona, funcionários e proprietários dos armazéns da zona do Hoji Ya Henda. O objectivo foi prestar esclarecimentos sobre a importância e as vantagens de estarem integrados no sistema bancário.  Intervindo no acto, a administradora da Comuna do Hoji Ya Henda, Madalena Vicente, recomendou o depósito do dinheiro no banco, por ser um local seguro, além de outras vantagens.





Participação de candidata no miss Angola dependente de patrocínios
Ottawa – O Comité Miss-Angola no Canada realiza em Setembro, em Ottawa, uma actividade de angariação de fundos para financiar a participação de Maria Celmira Bunga, de 24 anos de Idade, no maior concurso de beleza no país, a três de Dezembro próximo em Luanda.
 
A actividade vai servir também para apresentação da Maria Celmira Bunga à comunidade local como miss Angola no Canada.
 
Numa nota enviada à Angop em Ottawa, é referido que por falta de verbas para realização de um concurso de miss, Maria Celmira Bunga foi eleita por um júri durante um "casting" promovido pelo Comité Miss-Angola no Canada, na cidade de Toronto, a três deste mês.
 
Na nota alerta-se que a actual miss-angola no Canada se depara com problemas financeiros que eventualmente poderão impedir a sua deslocação a Luanda para fazer parte da gala de eleição de miss Angola 2012.
 
Ao falar à Angop em Ottawa, Maria Celmira Bunga anunciou que tem na educação, falta de emprego e saúde os assuntos base do seu programa de trabalho, caso seja eleita miss Angola, por afectarem a juventude.
 
Disse ter escolhido trabalhar com a juventude porque quando não são bem guiados tornam-se facilmente manipuláveis, daí necessitarem de muito apoio e carinho.
 
Referindo-se aos jovens angolanos no Canada, salientou que têm dignificado o nome de Angola, esforçando-se para se manterem unidos ao mesmo tempo que tentam atingir os seus objectivos em termos de formação académica o que tem surpreendido os canadianos com as suas conquistas.
 
Maria Celmira Bunga vive na cidade canadiana de Toronto, província de Ontário, há mais de 11 anos. É membro do elenco directivo da comunidade angolana naquela localidade, ocupando-se da área atinente aos idosos, adolescentes e crianças.
 
Frequenta o segundo ano do curso de administração médica no Centenial College sito na cidade metropolitana de Toronto.
 
Em Abril de 2010 participou num concurso de beleza promovido em Toronto, tendo sido coroada “Miss Globe Toronto”.
 
Em 2005 fez parte do concurso de Miss África-Canada, onde foi considerada a melhor representante da cultura africana naquele país do norte da América.
 
Em 2004 participou nos concursos de beleza promovidos pelo comité Miss Angola-Canada, restrito às cidades angolanas, e foi distinguida com os títulos de “Miss Fitness” e “embaixadora da cultura”.  

Artigos - Pedro Eugando
A criança e o início da educação formal em Angola

28 de Julho, 2011
A criança pode ser definida como sendo “pessoa jovem, com pouca experiência de vida”. Diz-se que a criança quando nasce não traz consigo educação. Traz um vazio, um espaço em branco que terá depois de ser preenchido. É como se fosse um caderno que a gente compra e que, ao longo do tempo, vai sendo preenchido.Com a criança passa-se quase o mesmo. De um lado temos o educador e do outro o educando. Enquanto naquele exemplo o comprador é um sujeito activo e o caderno é simples objecto, aqui a situação é bastante diferente.
No processo de preenchimento do espaço vazio, tanto a criança (com “páginas” vazias e ilimitadas por serem preenchidas) como o adulto aparecem como personagens activos.
É na interacção entre a criança (educando) e o adulto (educador) que se processa a educação.
Os valores e as atitudes socialmente aceites ou não guiarão o preenchimento do espaço vazio da criança, que lhe permitirá encarar o mundo de forma consciente ou não. Nesse processo entram diferentes actores, dependendo daquilo que se pretende transmitir à criança de modo intencional ou não intencional. Na escola ou fora dela. Em conformidade com as leis vigentes no país ou situando-se à sua margem, nascendo daí o tipo de educação a dar à criança: informal, não formal e formal.
A primeira forma de educação com que se depara a criança é a informal, seguindo-se depois (ordem flexível) a educação não formal e a formal (que é o nosso grande objectivo). Integram, elas, um todo que é educação. As três formas de educação são defendidas por académicos, investigadores de merecido respeito, como também por certas e importantes organizações internacionais.
Este tipo de classificação de educação surge como que uma síntese de tantas outras que existem, como educação infantil, física, sanitária, familiar. Apesar disso, a divisão da educação suscitou desde os tempos recuados (anos 60 e 70) até aos nossos dias debates ou discussões na busca da sua afirmação disciplinar.
A literatura consultada dá-nos a indicação de haver vários critérios para compreender quando é que estamos em presença de um tipo ou não. Entre eles temos, por exemplo: intenção ou não, escola, família, televisão, rádio, Internet, inclusão ou não no sistema de educação regulado.
A outra indicação é de que “o formal é o que define, em cada país e em cada momento, as leis e outras disposições administrativas; o não formal é o que está à margem da organização do sistema educativo graduado e hierarquizado”. Seguindo este critério, é lícito dizer-se que a educação não formal surge pela primeira vez, em Angola, a 17 de Dezembro de 1490, altura em que uma missão composta por “mestres de artes e ofícios, e letrados para ensinarem a ler e escrever”, acabaria de sair de Lisboa para Angola.
Em termos de artes e ofícios, a intenção era a formação de carpinteiros, pintores, pedreiros e tecelões nos moldes africanistas. E em termos da escrita, destaca-se o Colégio dos Jesuítas, que chegou a preparar academicamente vários nativos pretos, mestiços e brancos, surgindo daí a chamada elite evoluída (formada por quadros administrativos e técnicos), que veio servir de ponte entre os chamados autóctones e os colonizadores.
Para sermos mais claros, o surgimento da educação formal em Angola ocorre com o decreto de 14 de Agosto de 1845, quando o executivo colonial toma a educação como sua tarefa directa. Surgiram regras visando a organização do primeiro ensino elementar primário, dando prioridade à criança, de acordo com as prioridades e intenções da colonização.
Deliberou-se a criação da instrução pública, principalmente a primária e a Escola Principal, e os locais onde as mesmas tinham de funcionar. No ensino elementar primário podia aprender-se a ler, escrever e contar, princípios gerais de moral, doutrina cristã, exercícios gramaticais, princípios de geografia, História Portuguesa e História Sagrada do Antigo e Novo Testamento.
Finalmente, do balanço feito, 24 anos depois do início da organização da educação formal em Angola, constatou-se, a título ilustrativo, do elevado número de disciplinas que eram leccionadas, ignorância do factor cultura, resultando daí elevadas taxas de reprovação das crianças.
O insucesso escolar deveu-se também à falta de professores e mesmo os disponíveis chegaram a revelar insuficiências, pois muitos deles mal sabiam ler e escrever e fazer operações.
Para se tentar ultrapassar tais dificuldades, que afectavam a educação formal, cuidou-se da qualidade dos professores, bem como do aumento dos seus ordenados, reformulação do currículo que se adaptasse à realidade de Angola.
É nesse quadro que a Escola Principal fica estabelecida em 1868, ficando encarregada de ensinar, obrigatoriamente, a gramática da língua portuguesa, entre outras disciplinas.
*Doutorando e mestre em Estudos Africanos
Setor privado analisa estudo sobre ambiente de negócios em Cabo Verde
 
Transportes, qualificação da mão-de-obra, fornecimento de electricidade, acesso ao crédito, concorrência desleal. Estes são alguns dos constrangimentos ao desenvolvimento dos negócios identificados pelo Estudo sobre a Melhoria do Ambiente de Negócios em Cabo Verde, que vai ser apresentado ao sector privado esta quinta-feira, 28, na Cidade da Praia. Realizado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI) para a Unidade de Coordenação da Reforma do Estado, o estudo teve como uma das principais bases um inquérito feito aos empresários, em todas as ilhas. E é o próprio estudo a revelar que, o levantamento realizado junto dos "stakeholder" permitiu identificar um conjunto de elementos essenciais ao diagnóstico da situação actual.
Em jeito de exemplo, o estudo destaca constrangimentos nas áreas de fomento económico, regulação e fiscalização, justiça, administração pública e indicadores internacionais. Para o fomento económico, o estudo indica que a prioridade continua a ser as infra-estruturas/transportes de forma a permitir unificar o mercado nacional e aumentar a exportação.
Também o fornecimento deficiente da electricidade e a dificuldade de acesso ao crédito foram identificados como inibidores do crescimento económico de Cabo Verde. Os empresários registaram na concorrência desleal, facilitada pela insuficiente fiscalização e pela falta de regulação em alguns sectores, como um importante constrangimento ao negócio das empresas em Cabo Verde.
No sector da justiça, o principal constrangimento refere-se ao trabalho dos tribunais, nomeadamente a morosidade na tomada de decisões e execução de sentenças. O "Processo de Informatização", o "Acesso a Informação" e a "Reforma Administrativa" foram avaliadas positivamente. Já a Administração Pública, diz o estudo, deixa a desejar nos sectores "fiscalização" e "eficácia dos tribunais na resolução dos conflitos. Os empresários apontam estes dois itens como prioritários para melhorar.
Cabo Verde foi considerado um dos 10 países mais reformadores em 2010. O país apresenta bons indicadores sociais, económicos e políticos, sobretudo quando comparado com outros países da África. A nível da competitividade, os maiores handicaps são o mercado interno reduzido, a pouca ligação ao espaço económico da CEDEAO e uma rede de transportes marítimos e terrestres insuficiente.
O estudo completo está no link http://www.reformadoestado.gov.cv/index.php?option=com_docman&Itemid=603
Fonte: ASemana
Kilamba: Preços dos apartamentos anunciados a qualquer momento

O ministro de Estado e Chefe da Casa Civil da Presidência da República, afirmou esta Quarta-feira, 27/7, em Luanda que os preços das residências da cidade do Kilamba, recentemente inaugurada, serão anunciados nos próximos dias.

Falando durante o balanço trimestral do Executivo em conferência de imprensa, Carlos Maria Feijó fez saber que até ao momento estão a ser analisados os últimos detalhes e que nos próximos dias, o Governo através de imobiliárias criadas irá anunciar os preços finais dos apartamentos.

“É objectivo do Executivo criar melhores condições aos cidadãos”, disse o Ministro de Estado e Chefe da Casa Civil da Presidência da República.

“Estamos ainda a conversar com os bancos comerciais para que haja uma facilidade em termos de créditos e que a taxa não seja a actual”, acrescentou Carlos Feijó.

Localizada a aproximadamente 20 quilómetros a sul do centro da capital, Luanda,a primeira fase do projecto desenvolve-se numa parcela de 906 hectares e contempla a construção de 20.02 apartamentos, 24 jardins de infância, nove escolas primárias e oito secundárias.

A mesma possui ainda reserva de espaço para a construção de um hospital, quatro clínicas, 12 centros de saúde, três instituições financeiras, estações de correios, postos de abastecimento de combustível, unidades e esquadras de polícia, quartéis de bombeiros, parques de estacionamento e outras estruturas.

A cidade do Kilamba está contemplada com infra-estruturas básicas, como rede viária, drenagem de águas pluviais e águas residuais para 35 000 metros cúbicos por dia, tendo também subestações de energia eléctrica e rede de distribuição, telecomunicações e terminais de transportes públicos.

Este projecto é uma parceria público-privada, abrangendo diversas vertentes que incluem projecto de engenharia, construção de edifícios, infra-estruturas viárias e hidráulicas.

A implantação do maior projecto habitacional de Angola coube ao então Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN) com o auxílio da Sonangol.

Brasil termina a participação na Filda com expectativa de aumentar negócios

As tecnologias de informação e a Internet de banda larga continuam a ser grandes opções dos empreendedores angolanos
Fotografia: Santos Pedro
As 34 empresas brasileiras que participaram na Feira Internacional de Luanda (FILDA 2011) criaram uma expectativa de negócios, para os próximos 12 meses, de 32 milhões de dólares, segundo dados finais da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).
Angola é o terceiro principal destino das exportações brasileiras em África e um dos mercados prioritários para as acções da Apex-Brasil. O Brasil está entre os vinte maiores destinos das exportações angolanas, fixando-se, nos primeiros meses de 2011, no décimo oitavo lugar.
A Filda encerrou as portas no domingo, mas as novidades apresentadas no certame já fazem parte do mercado nacional. A Net One Telecomunicações, empresa angolana que presta serviços de Internet em banda larga 4G, apresentou o produto de bolso Ne One, que permite até oito conexões de internet simultâneas para utilizadores que acedam no mesmo lugar.
A Net One participou na Filda pela primeira vez, mas a sua estreia teve visibilidade quando no dia reservado à Internet apresentou o seu novo modem USB, compatível com todos os sistemas operacionais, incluindo a versão de computadores MAC. O director comercial da Net One, Ernesto Oliveira, garantiu que a empresa reserva mais surpresas para o mercado. “A nossa interactividade com os clientes é total. O segredo do nosso sucesso é ouvi-los a todo o momento e o nosso produto é um sucesso de vendas”, afirmou Ernesto Oliveira.
Ao lado dessa tecnologia sobressaiu também a Internet Technologies Angola (ITA), provedora de serviços de internet corporativa (ISP). A ITA opera em Angola a partir do satélite Telstar 11N, que tem grande cobertura sobre todo o continente africano, através de um toque único para um teleporto situado no Reino Unido.
Em Angola, além de Luanda, a ITA está presente nas localidades de Cabinda, Soyo, Ambriz, Porto Amboim, Malange, Luena, Lobito, Benguela, Huambo, Namibe, Lubango e Menongue.
De acordo com Edison Neto, gestor de contas da ITA, a empresa fez parceria com o ITELnet, para instalar um hub iDirect Evolution numa das suas instalações de teleporto em Luanda. “Juntos, podemos ser capazes de ligar companhias que tenham escritórios remotos nas províncias, através de salto único via satélite BandaC ou Banda KU”, frisou o gestor da ITA.