Huambo - O fraco desempenho dos pais e encarregados de educação contemporâneos que deixou de ser modelo e exemplo a seguir pelos jovens, uma vez que os filhos não nascem com vícios, está na base da degradação dos valores morais e culturais na sociedade angolana.
Esta conclusão vem expressa no comunicado aprovado no final do workshop sobre "O resgate dos valores morais, cívicos e culturais", realizado hoje, quinta-feira, no Instituto Superior Politécnico da cidade do Huambo, sob os auspícios do Gabinete para a Cidadania e Sociedade Civil do Comité Central do MPLA.
O débil papel dos "jangos" e outros espaços comunitários, que serviriam para a educação e preparação dos jovens para a vida adulta, bem como o desinteresse por parte de certos professores em exercerem cabalmente a sua missão de educador, também foram tidos como alguns dos males que têm causado a distorção das boas maneiras na sociedade.
Aludiu-se ainda, como potencial estrangulador dos valores éticos, a apresentação de novelas nacionais e estrangeiras que, na opinião dos participantes do encontra, nem sempre são correctamente interpretadas pelo público telespectador, verificando-se por vezes incidentes nos lares e locais de serviço nos períodos em que estas são exibidas.
No documento, os conferencistas apontaram igualmente como comportamento negativo, o facto de que algumas autoridades tradicionais não se fazem respeitar nas suas áreas de jurisdição, por faltar-lhes "um grade depósito de sabedoria" indispensável para a educação do seu povo.
A proliferação de igrejas e seitas religiosas que desvirtuam o verdadeiro papel destas instituições no processo de resgate dos valores cívicos e morais, assim como o excesso de publicidade de bebidas alcoólicas nos órgãos de Comunicação Social, também foram questionados.
Em termos de contribuição sobre os vários aspectos negativos identificados, os participantes da conferência defenderam que o exercício da autoridade paternal dos filhos dos zero aos 18 anos de idade deve ser orientado com todos os direitos a si inerentes, de forma a responsabilizar os pais e a família em particular, na assumpção dos seus deveres e obrigações.
Que os filhos, a partir dos 18 anos de idade, aprendam a retribuir aos pais, consoante as suas possibilidades, naquilo que forem capazes, de forma a reduzir os encargos que pesam sobre os progenitores, relativos a gestão do lar, ou seja, da família.
Das várias recomendações feitas, destaca-se ainda a necessidade e obrigatoriedade das autoridades tradicionais, pais e encarregados de educação trabalharem no sentido de proporcionar a juventude uma educação que valorize os valores e tradições culturais, bem como a recuperação dos "jangos" e outros espaços socioculturais, preparando, deste modo, os jovens para a vida adulta.
O workshop, orientado pela directora do Gabinete para a Cidadania e Sociedade Civil do MPLA, Fátima Viegas, cingiu-se sobre "O Papel das autoridades tradicionais enquanto depositárias dos valores cívicos e sociais" e "A relevância da participação dos projectos comunitários no processo de educação cívica e moral".
Participam do encontro, membros da comissão executiva do MPLA local, administradores municipais, autoridades tradicionais, entidades religiosas, académicos, estudantes, representantes de organizações não-governamentais e de associações.
A sessão de encerramento do evento foi presidida pelo segundo secretário provincial do Huambo do MPLA, Agostinho Ndjaka.