terça-feira, 9 de agosto de 2011

Promotores de Justiça trabalham sobrecarregados
 
Eleita semana passada para presidir a Associação do Ministério Público de Alagoas (Ampal), Adilza de Freitas reclama da falta de promotores no Estado
| NIVIANE RODRIGUES - Repórter
Foi uma votação pra lá de expressiva. Dos 185 votantes, a chapa liderada pela promotora de Justiça Adilza Inácio de Freitas obteve 131 votos, contra 49 de seu adversário, o promotor José Antônio Malta Marques, e comandará a Associação do Ministério Público de Alagoas (Ampal), no biênio 2011/2013. A vitória acachapante suscitou mil e um comentários, entre eles o de que a chapa venceu porque teve como cabo eleitoral nada mais nada menos do que o procurador-geral de Justiça, Eduardo Tavares, que já estaria preparando “o terreno” para as eleições do ano que vem, quando será definido o seu substituto no comando do Ministério Público Estadual. Natural de Ibateguara, a ex-delegada de Polícia em Pernambuco afirma que sua vitória foi fruto de um trabalho em equipe que já vinha sendo desenvolvido há 17 meses, admite que o apoio de Eduardo Tavares foi importante, mas diz que sua candidatura não foi imposta. Ela fala ainda sobre a carência no quadro de promotores no Estado, diz que a categoria está sobrecarregada, que é alto o nível de estresse e resume com a seguinte frase a corrupção para falar que é preciso respeitar o uso do dinheiro público: “É o grande câncer da humanidade”.
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Gazeta – Há quanto tempo a senhora trabalha como promotora?
Adilza de Freitas – Terminei o curso de Direito em 1989, advoguei um pouco, passei em um concurso para delegada de polícia em Pernambuco, onde fiquei quatro anos, e assumi em Alagoas como promotora, em maio de 2000. Desde então estou na árdua missão de ser promotora.
É mais difícil ser delegada ou promotora?
Eu acho que todas as duas são desafios, mas eu encaro tudo com muita naturalidade, porque eu sempre disse o seguinte, tanto como delegada, quanto como promotora: quem tem que se preocupar é o bandido. Nós estamos para cumprir a lei. O promotor faz de acordo com o que está determinado na lei. Então eu nunca me preocupei. Nunca tive receio com A, com B. As duas funções são desafios constantes.
Pergunto isso porque vivemos um momento difícil em relação à segurança do Estado. A senhora como uma mulher da Justiça deve ter desafios diários. Como é lidar com essa questão da violência crescente?
Aqui, particularmente em Maceió, quando eu assumi a Promotoria da Infância e da Juventude por um certo tempo, eu tive oportunidade de me aproximar mais do mundo da criminalidade, com pessoas tão pequenas. E a minha promotoria lidava justamente com a parte de políticas públicas. Com ações protetivas em defesa de crianças e adolescentes. E uma das vezes, uma das mães chegou e disse: eu não suporto mais meu filho em casa. Ele não me obedece. Então, ou ele ou eu dentro de casa. E eu vim deixar o meu filho aqui. Quando eu mandei que a criança entrasse, eu pensei que se tratava de um adolescente de 16, 17 anos pelo perfil que ela tinha traçado, e quando entrou era uma criança de sete anos de idade, perdido na droga.

QUEM É
Nome: Adilza Inácio de Freitas
Cargo: presidente da Ampal
Formação: formada em Direito pelo Cesmac e pós-graduada em Direito Processual
Hobbies: Cavalgar, ler, assistir a film