terça-feira, 9 de agosto de 2011

Presidente de Moçambique inicia visita à China

Guebuza, que permanecerá na China por seis dias, vai cumprir uma agenda especificamente virada para a passagem em revista do estágio da cooperação bilateral e reforço dos mecanismos de cooperação.
Pequim – O presidente moçambicano, Armando Guebuza, encontra-se desde o princípio da tarde de hoje (hora local) em Pequim, para a sua primeira visita de Estado a esta potencia económica do continente asiático a convite do seu homólogo, Hu Jintao, informa a agência AIM.

Guebuza, que permanecerá na China por seis dias, vai cumprir uma agenda especificamente virada para a passagem em revista do estágio da cooperação bilateral, reforço dos mecanismos de cooperação nos domínios político-diplomático e socioeconómico, a sensibilização das autoridades chinesas para continuarem a incrementar a assistência ao desenvolvimento de Moçambique.

A necessidade de assegurar o financiamento de projectos já submetidos no quadro dos fora sino-africano e Macau, atracção de investimentos públicos e privados chineses, bem como o incremento de parcerias são outras matérias de relevo na visita do estadista moçambicano.

À sua chegada ao Aeroporto Internacional de Pequim, em um voo comercial, Guebuza e esposa, Maria da Luz Guebuza, foram recebidos pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Zhai Jun.

Na sua qualidade de presidente, Guebuza já visitou a China, em 2006, no quadro da cimeira sino–africana e, em 2008, durante a cerimónia inaugural dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Para além de conversações com Hu Jintao, assinatura de vários acordos de cooperação bilateral, e audiências com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, e com o presidente do Banco de Desenvolvimento da China (CDB), encontros agendados para quarta-feira, Guebuza vai seguir uma série de outros encontros importantes.

A título de exemplo, o chefe de Estado moçambicano reunir-se-á com o presidente da Corporação de Construção Económica Internacional chinesa (SOGECOA), Jiang Qingle, e terá encontro com o presidente do Banco de Exportação e Importação da China (EximBank) entre vários de relevo.

Guebuza participará também na cerimónia inaugural da XXVI edição das Universíadas de Verão, a terem lugar na cidade de Shenzhen, de 12 a 23 de Agosto, na sua qualidade de convidado especial de Hu Jintao.

Trata-se essencialmente de jogos mundiais universitários organizados pela Federação Internacional de Desportos a nível de ensino e que se realizam numa periodicidade bienal.

O presidente deverá visitar ainda o Templo de Shaolin, em Dengfeng, bastante famoso a nível mundial pelas suas histórias no mundo das artes marciais.

A visita ocorre numa altura em que as trocas comerciais entre Moçambique e China continuam favoráveis a este último país, situação que poderá se inverter com a concretização da decisão chinesa de isentar de impostos aduaneiros 65 por cento de mercadorias provenientes de Moçambique, entre outras iniciativas.

No primeiro trimestre do ano em curso, as trocas comercias entre ambos os países cresceram em cerca de 31 por cento e o valor total do comércio bilateral está cifrado em cerca de 175 milhões de dólares norte-americanos.

Neste intercâmbio, a China exportou 130 milhões de USD e Moçambique vendeu à China bens num valor calculado em 45 milhões de dólares, uma tendência que também caracterizou o ano económico de 2010.

Por outro lado, o investimento directo da China em Moçambique cresceu bastante nos últimos tempos abrangendo as áreas de infra-estruturas, agricultura e comércio, conquistas que foram sendo reforçadas pelos crescentes laços bilaterais resultantes da troca frequente de visitas de alto nível entre os dois países.

Ainda no âmbito desta visita de Estado, uma missão empresarial moçambicana estará na China de 11 a 17 de Agosto corrente.

Seminários económicos e 'bolsas de contacto' fazem parte do programa deste grupo de empresários, acções organizadas pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Centro de Promoção de Investimentos (CPI) e pelo Ministério moçambicano da Indústria e Comércio, e que deverão ocorrer principalmente nas províncias de Henan e Zhejiang.

A China é um parceiro histórico de Moçambique, tendo manifestado interesse nesse sentido desde os primórdios da luta de libertação de Moçambique, para além de ter sido um dos primeiros países a estabelecer relações diplomáticas como Moçambique, logo após a independência, a 25 de Junho de 1975.

Após cerca de uma semana da assinatura da independência, a dois de Julho de 1975, a China assinou o Acordo de Cooperação Económica e Técnica com Moçambique.

Hoje, a cooperação bilateral com a China esta a registar avanços, podendo se concluir que o seu impulso é feito através da troca de visitas a vários níveis, realização de sessões da comissão mista bilateral, assinatura de diversos instrumentos de cooperação e a subsequente implementação de vários projectos com impacto sócio - económico no quadro de assistência ao desenvolvimento.

Acompanham o estadista moçambicano os ministros das Finanças, Manuel Chang, dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Baloi, dos Recursos Minerais, Esperança Bias, da Agricultura, José Pacheco, e ainda a vice ministra do Plano de Desenvolvimento, Amélia Nakhare.