Angola: Alunos e professores seropositivos como agentes de mudança - “Foto-Voz” um
método para influenciar líderes e comunidades
' - Acabava de ser admitido para trabalhar como professor, quando descobri que era seropositivo. A notícia
espalhou-se por todos os cantos. Fui severamente discriminado, tanto pelos meus colegas como pelos
alunos na escola. Deixei a escola rural em que estava a trabalhar, perto da minha aldeia, e vim para
Luanda, onde me senti mais bem acolhido e no anonimato, mas menos útil no plano profissional.
[Auto-retrato e depoimento de um jovem professor seropositivo para o projeto Foto-Voz em Angola
Como a resposta do setor educacional ao VIH e à SIDA tem sido apoiada
O projeto Foto-Voz, desenvolvido em Angola, usa uma metodologia inovadora,
através da qual alunos e educadores afetados pelo VIH e pela SIDA receberam
aparelhos fotográficos, com vista a documentar as suas histórias pessoais
relativamente ao tema “Alunos e Professores Afetados pelo VIH e pela SIDA:
Agentes de Mudança e Construtores de Esperança”. Esta iniciativa tem por objetivo
proporcionar aos alunos, professores e ao pessoal da área educacional afetados pelo
VIH e pela SIDA a oportunidade de promoverem sensibilização, no âmbito das suas
respectivas comunidades, devendo as fotos e os depoimentos que as acompanham
servir de instrumento de informação e de interpelação dos responsáveis pela
elaboração de políticas, relativamente a questões de extrema importância
relacionadas com o VIH e a SIDA no setor educacional.
A UNESCO tem trabalhado em parceria com a rede nacional de seropositivos (PLHIV),
com vista ao lançamento do projeto Foto-Voz em duas províncias: Luanda e Cunene.
Outros parceiros empenhados neste processo foram o Ministério da Educação e a
Comissão Nacional sobre a SIDA. Oitenta foto-histórias de 60 participantes foram
selecionadas para exposições abertas ao público. As visitas de escolas às exposições
foram organizadas e os eventos de lançamento foram realizados no Dia Mundial de
Luta contra a SIDA, em 2010. Durante esses eventos, foram oferecidos serviços
benévolos de aconselhamento e de rastreamento do VIH.
Esses esforços puderam ser realizados graças ao apoio financeiro oferecido à UNESCO
pela Fundação Virginio Bruni Tedeschi e pelo Fundo da OPEP para o Desenvolvimento
Internacional (OFID), entre outros.
O que foi realizado
O projeto Foto-Voz atingiu 50 escolas, 240 professores e 2.650 alunos, através das
visitas de escolas às exposições organizadas no Dia Mundial de Luta contra a SIDA. O
envolvimento dos alunos e professores seropositivos nessas intervenções efetuadas
com base escolar revelou-se ser extremamente benéfico, tendo possibilitado,
nomeadamente, o seguinte:
O uso de fotos e de depoimentos pessoais possibilitou que os alunos se
sentissem mais à vontade para participar em discussões abertas sobre questões
delicadas relativas ao VIH e à SIDA.
O projeto dissipou mitos e equívocos muito difundidos, relativos ao VIH e à
SIDA, e denunciou atitudes frequentes de estigmatização e comportamentos
discriminatórios relativamente a professores e alunos seropositivos nas
escolas.
Ao nível político, a projeto ajudou a sensibilizar os líderes e decisores políticos
relativamente a questões que afetam professores e alunos seropositivos. Isto
levou a um reposicionamento do setor educacional, tendo sido colocado no
âmago da resposta nacional ao VIH e à SIDA, como pode ser visto no processo
de desenvolvimento do Plano e das Políticas Estratégicas do Setor Educacional.
“Os depoimentos e os textos apresentados pelos nossos jovens seropositivos revelaram
as insuficiências das nossas políticas sociais com vista à promoção de iniciativas
sustentáveis de prevenção, de tratamento e de cuidados para jovens e funcionários
da área educativa seropositivos. O nosso Governo necessita de um número maior de
intervenções e investimentos nas escolas, com vista a manter o setor educativo como
instrumento de prevenção do VIH.” (Dra. Aurora dos Santos, Diretora Nacional para
Acção Social Escolar, Ministério da Educação)