Portugal convoca o Brasil para as privatizações
Brasília (AE) - O governo português decidiu antecipar o programa de privatizações e está convocando as empresas brasileiras, privadas e estatais, a participar dos primeiros leilões que serão realizados "ainda no terceiro trimestre" deste ano. Até o final de setembro próximo, o governo de centro-direita, que tomou posse em meados de junho no rastro de uma grave crise financeira, quer privatizar pelo menos as empresas EDP (geração de energia), REN (rede de distribuição de energia) e Galp (petróleo).
A companhia aérea TAP, que hoje é 100% estatal, deverá abrir o calendário de privatizações no ano que vemO ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, desembarcou na semana passada em Brasília e deixou claro que, entre outras missões, "o sentido da viagem" é a "diplomacia econômica".Depois do primeiro pacote de privatizações, o governo já tem agendada para o ano que vem a venda de empresas como a TAP (transportes aéreos), ANA (administradora de infraestrutura aeroportuária), CTT (correios, telégrafos e serviços postais de encomendas), Águas de Portugal e setor de estaleiros.
A TAP deve abrir o calendário de privatizações do ano que vem. A empresa é hoje 100% estatal e tem a brasileira TAM entre as interessadas no negócio. O chanceler português veio ao Brasil como porta-voz desse processo porque, entre outros motivos, tem experiência no assunto: foi ele quem, como ministro da Defesa, entre 2002 e 2005, privatizou a OGMA-Indústria Aeronáutica de Portugal, uma empresa vendida à Embraer brasileira.
Portas disse, em um almoço com a imprensa, que o Brasil tem uma "importância vital" na relação econômica com o Portugal e que isso não depende mais do partido que está no poder ou do governo de plantão em Lisboa. "A relação entre os dois países não dependem mais dos ciclos políticos", resumiu. Ele desembarcou em Brasília sem a mala, que ficou perdida no aeroporto de Cumbica, em São Paulo, depois de uma escala no trajeto que começou em Moçambique, na África.
O discurso do chanceler português é recheado de certezas e garantias de segurança jurídica e política para os investidores brasileiros. Portas lembrou que Portugal elegeu um novo governo em meio à crise e que, na campanha, a população foi informada das medidas de austeridade que seriam tomadas. O país recebeu um empréstimo de 78 bilhões de euros e se comprometeu com os fiadores dessa ajuda - o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia - a fazer privatizações e a adotar um programa de equilíbrio fiscal."O mais importante é que essa ajuda tem o apoio até da oposição, o Partido Socialista", disse.