General Manuel Paulo Mendes de Carvalho "Sou um ‘autarca’ do Icolo e Bengo"
General Pakas, sabemos que escreve muito. O que contêm estas notas pessoais que estão aí à vista? Neste documento, a cada dia que passa vou fazendo uma retrospectiva da minha vida, pessoal, social, partidária, económica como pequeno empresário, mas o que preocupa é mesmo a situação ameaçadora que paira sobre a minha pátria, a minha terra. Que ameaças são essas?
De que forma?
Qual deveria ser a intervenção do parlamento para reverter esta situação?
É só ver que as pessoas que emigraram para aqui e já têm bilhete de identidade, já têm passaporte e até assentos de nascimento, que é o mais grave. Acho que aproveitaram as debilidades junto do Ministério da Justiça e fizeram toda a operação.
Isto não acontecerá com a ajuda de cidadãos angolanos?
Cx. “Sobrados também fizeram-se ao poder”
Quais são essas práticas menos boas que podem afectar a coesão nacional?
Os angolanos eram os únicos que não podiam capitanear, isto para torná-los isentos de qualquer sentimento com relação à pátria porque não eram daqui, qualquer ordem que era baixada devia ser cumprida. Agora, em 1974 há uma série de aspectos que devíamos ter visto para a segurança dos interesses da nação. Eu, por caso, estou a escrever uma obra intitulada “Os sobrados do colonialismo”. Que é mesmo esses sobrados que ficaram por aqui, como é que ficaram, e onde é que eles estão. O certo é que muita dessa gente dos sobrados também se fizeram ao poder.
O que pretende mostrar com esta obra?
Mas como é que isso é possível, quando alguns desses predadores são mesmo angolanos…
O que é que falta do ponto de vista da percepção do MPLA?
Mas agora revestidos de outras formas...
Qual a avaliação que faz do fenómeno corrupção que começou com o advento da paz.
Há pouco debate no MPLA, há mais moções de estratégia
Isto não é debatido no MPLA? Durante o MPLA-movimento fez-se sempre um esforço no sentido de às vezes coartar as possibilidades de realização destas acções subversivas dentro dum amplo movimento de crítica e auto-crítica, havia democracia, mas já nessa altura também havia indivíduos que lutavam no sentido de corroer o poder (…) eu acho que o meu MPLA precisa de possibilitar a massa militante de exercer, de facto, um amplo movimento de democracia, isto não pode funcionar conforme se está a fazer, até dá a impressão que o partido tem dono. Mas o partido tem líderes e, seguramente, que tem um think tank que deve pensar as políticas a implementar em Angola pelo MPLA…
O que temos notado é que o MPLA está-se a tornar num partido altamente mecanizado. Vai-se buscar os tecnocratas que vão produzindo aquilo que interessa ao partido mesmo sem terem em conta, às vezes, a anuência da massa militante, e aparecem a fazer imposições, já não discutem os problemas, é tudo moção de estratégia para aqui e acolá e arrastam cada vez mais as pessoas só para baterem palmas. Tudo para eles é um tabu e não vemos as coisas com seriedade. Discutíamos mais problemas internos antigamente com todo o criticismo que se exigia naquela altura do que hoje.
Quais são os grandes tabús que aparecem hoje no MPLA?
Eu para ser primeiro secretário de um CAP tenho que passar pelo crivo.
Eu estou sujeito à crítica de todos os camaradas que fazem parte desse CAP.
E há vezes que o CAP não representa sequer um metro quadrado de território. Como é que para cargos superiores ao do primeiro secretário do CAP as pessoas vêm com moções de estratégia como se tivessem medo de passar pelo crivo. Eu acho que num amplo movimento democrático as pessoas têm que vir, correr o risco, têm que se apresentar, estar sujeito à crítica para merecerem, de facto, a confiança daqueles que votam. Então se eu no CAP tenho que passar nesse crivo para governar ao nível superior não é preciso? É só preciso a moção de estratégia?
Está a dizer que o MPLA se tornou alérgico a críticas?
O facto de grande parte dos responsáveis do partido e alguns no executivo terem encarnada a cultura militar que não admite a democracia será o reflexo disso?
Porquê que isso não tem um reflexo na condução do país?
Não estou de acordo
Catete volta a ser reintegrada à província de Luanda, qual o seu comentário acerca disso?
Em relação a isso, eu gostaria de dizer que não estou nada de acordo. Eu acho que as pessoas têm de voltar.
Porquê que hão-de ocupar as terras indivíduos vindos de outras paragens se nós até em Luanda estamos a viver muito mal? Eu acho até que Catete, e Icolo e Bengo nunca saíram de Luanda, porque as fronteiras de Luanda passaram por aqui, isto é tudo Luanda
Acho que é uma medida meramente económica que, às vezes, não tem em conta os interesses culturais das pessoas que aqui vivem. Há um querer de muita gente vir para aqui aproveitar o território para desenvolver actividade económica e isso não é justo, não é correcto. Porquê que hão-de ocupar as terras indivíduos vindos de outras paragens se nós até em Luanda estamos a viver muito mal? Eu acho até que Catete, e Icolo e Bengo nunca saíram de Luanda, porque as fronteiras de Luanda passaram por aqui, isto é tudo Luanda
Quais são os sinais que lhe permitem afirmar isso?
Há um assalto das terras ancestrais de famílias locais?
Defende o “havemos de voltar” de Agostinho Neto?
Acabamos de fazer uma viagem de constatação à aldeia de Kaxikane, a terra onde nasceu o primeiro presidente de Angola e, certamente, ali vive-se uma situação crítica…
É uma situação de abandono, é assim que estas terras se encontram, é assim que o município está. Não temos água potável, não temos energia com qualidade. Tudo quanto está a ser implantado não tem qualquer vínculo com os autóctones, é muito complicado e o que assistimos é uma ocupação das terras e poucas oportunidades para os natos fazerem qualquer coisa de interesse para o desenvolvimento disso.
Mas há uma nova urbanização para acolher os habitantes de Kaxikane, isto é um sinal que permita concluir que há uma valorização da localidade?
Porquê que não fazem por 50 anos, porquê que não trazem os técnicos para ver as mais variadas vertentes do social, do económico para darmos respostas globais aos problemas? Temos que começar a perspectivar isso a médio e longo prazos e fazer programas integrados para satisfação de todos os povos.
Kaxikane só voltará a ter vida a 17 de Setembro…
Há aqui alunos que estudam a oitava, nona, décima classes que não estão a fazer matemática, não estão a ler e há o problema dos manuais que não trazem conteúdos históricos e a população angolana não conhece a História de Angola. A qualidade dos professores que mandam para aqui é má.
Falando em História de Angola, não acha que seria altura de dar maior aproveitamento a Kaxikane, onde está o busto de Agostinho Neto?
As ruas todas tinham nomes de celebridades sociais, culturais, históricas, políticas como Almeida Garret, Oliveira Salazar. Eu acho que em Angola os que dirigem, não sei se é influenciado pelos números da corrupção, onde deviam estar os nomes dessas celebridades angolanas estão a meter números. Os programas de educação patriótica não são só dentro das salas, aí onde as pessoas convivem tem que lá estar as marcas para que as pessoas de tanto ler e ver as pessoas facilmente vão conhecendo.
As crianças avistadas naquela aldeia será que têm noção do seu valor histórico? Porquê?
Depois os próprios manuais não dizem nada sobre aquele lugar.
A população de Icolo e Bengo está informada das mudanças que estão em curso?
Não houve um trabalho prévio?
O que é que se fez de concreto?
Mas os interesses do Estado não falam mais alto?
Qual o verdadeiro sentimento do povo desta região?
O que a gente pretendeu ao longo destes anos é que viessem aqui fazer melhorias.
Nunca houve?
pertença das Lundas. Não me contaram, eu estive lá e houve mesmo mal-estar.
‘Sou um autarca’
Porque se persiste neste tipo de erros?
Falta de consulta. Porque não estão dispostos a fazerem consultas. Uma coisa é você ser nomeado ministro é especialista em águas, mas pode não ser especialista noutras áreas e na sociedade há muitos indivíduos que são especialistas e não podem ser ministros, mas podem ser autarcas e devem ser consultados. Eu funciono muito como um autarca aqui no Icolo e Bengo e faço questão de participar nas reuniões onde se tomam decisões sobre o território e este povo. O senhor participa porque é chamado ou porque tem que lá estar?
Sente-se um cidadão do Bengo, apesar de não ter nascido aqui?
Está a preparar o percurso político para assumir uma futura autarquia aqui em Icolo e Bengo?
O que aspira mais no MPLA?
Eu sou indivíduo que hoje já não me considero mártir, mas fui mártir do colonialismo português. Meu pai esteve preso durante dez anos. Você sabe o que é ter uma mãe lavadeira com quatro filhos no ensino secundário e liceal, a ganhar misérias, pagar propinas, comprar livros, alimentá-los e não aparecer nenhum angolano a esticar a mão para ajudar? Eu até digo que esses meninos hoje são muito felizes porque vai aparecendo uma “mão solidária” para os proteger, naquela altura era complicado e onde até os patriotas angolanos fugiam-nos com receio de serem conotados com o terrorismo, porque éramos filhos de terroristas. Eu estudei no Lubango e na minha escola as minhas professoras sabiam que nós éramos filhos de terroristas e foram as pessoas que mais apareceram para nos apoiar. O Garibaldino, que era dono de uma livraria na rua do Picadeiro no Lubango, o Leonel Cosme que era um radialista da Rádio Clube e sua esposa que era minha professora Dona Regina que iam desencantando alguns subsídios para nos ajudar a sobreviver.
Não apareceu nenhum patriota negro a apoiar-nos e são todos estes sentimentos do passado que me movem a vir defender estas causas porque eu também passei por lá e eu acho um absurdo muita gente que também passou por aí, ao invés de estar solidária com esta gente até nos dá a impressão que lhes provoca revolta verem os pobres quando eles deviam ajudar a resolver os problemas e têm sensibilidade porque já passaram por lá, e que eles aparecem como se quisessem vingar desses novos pobres. Não está bem, está mal.
A sua forma de estar e de ser não se ficará a dever ao seu pai?
Agora, uma coisa eu lhe garanto, na minha família tem muita gente leal que não está ligada à corrupção e aos crimes que são praticados em Angola. Não é que a gente não tenha oportunidade de fazer, não faz parte dos nossos princípios. Porque nós somos mesmo do MPLA
Olha, filho de cobra é cobra. É um dito popular, porque eu tenho mesmo que seguir exemplos nobres e a minha família é mesmo nobre. Ela tem participação no processo de independência e o hábito faz o monge, se os pais lutam por causas justas, os filhos gostam são educados para fazer o mesmo. Esta vossa forma de ser espontânea e explosiva já vos custou amargos de boca?
Porque nós somos mesmo do MPLA.
Há indivíduos que estão nos mais altos cargos do MPLA e do Executivo que só estão a ostentar bandeiras e camisolas do MPLA, mas já não são do MPLA pelas suas práticas. Porque a prática deles diz que não são. Nós continuamos ainda dentro do MPLA. Vamos travar uma luta muito séria no futuro, porque o MPLA vai correr o risco de ser sancionado negativamente por causa desses infiltrados e indivíduos malfeitores que tudo fazem só para se beneficiarem do MPLA e destruírem o MPLA. Um congresso não teria possibilidades de extirpar esses malfeitores?
Não há nenhum remédio?
‘Na minha família é proibido roubar’
Mas se estivesse lá não faria o mesmo?
Olha, eu sou amigo desses generais todos. Não. Na minha família é proibido roubar. Não é uma questão de falta de oportunidade. Agora, ser conforme nós somos é preciso fazer cultura, isso não é para quem quer, é para quem merece. Para quem pode. Viver no bem também custa. Veja lá o sofrimento a que estamos sujeitos quando nos coartam todas as possibilidades de nos desenvolvermos. As portas dos bancos não se abrem, não se abre nenhuma porta e há vezes que sentimos que somos uma família a abater. É sempre de forma pejorativa, vão falando, vão se rindo. Oxalá eles consigam perpetuar isto, que eu não acredito porque Salazar pensou que isto iria continuar, outros tiranos também pensaram que iriam continuar. Eu acho que essa gente está a fazer uma má leitura dos tempos. Por altura das eleições na FAF, escreveu uma carta aos generais de uma das listas. O que o motivou a escrevê-la.
Por altura do levante dos movimentos havidos na região do Maghreb, o senhor também dirigiu cartas aos dirigentes a fazer determinados alertas, estas cartas foram tidas em conta?
Obteve alguma resposta?
Concorda com os comités de especialidade?
Mas mesmo com esta nata reunida no seu partido ainda temos problemas na área da saúde, educação, tem isto alguma valia?
Governar é complicado não é mera paixão, então é sempre bom que estes tecnocratas apareçam para dar os seus subsídios. Os comités de especialidade também não costumam governar.
Que leitura faz da necessidade da abordagem para resolver o passivo do 27 de Maio, tem alguma visão?
Muito tenebroso. E este problema não pode ser visto como um tabu, conforme a gente quer ver, porque é um problema muito sério. Acho que houve atrocidades de ambas as partes e houve falta de cuidado e a nação também só tinha dois anos de existência. Fico muito triste, quando vejo mais velhos, figuras de proa, a ameaçarem os jovens de que se se manifestarem vão tomar medidas iguais as de 27 de Maio. Eu acho que estas pessoas devem ser presas, essa gente tem que ir para a cadeia, porque estão a denunciar de facto os intentos de ontem, quando deviam ficar arrepiados, comovidos e tristes com essas viúvas, ver como é que resolveríamos o problema dessa gente, que hoje estão com mais de trinta e dois anos, não. Em pleno século XXI ainda estamos a ameaçar os jovens, evocando a situação do 27 de Maio que não agradou, nem agrada e acho que não devemos passar esse legado para a juventude.
Está satisfeito com o tratamento que é dado aos antigos militares?
Será que só os camaradas do MPLA é que lutaram contra o colonialismo? Não dá esta forma muito sectarizada de vermos as coisas que só nós do MPLA é que devemos beneficiar. Aqui você não vai harmonizar este país se não resolver estes problemas. Isto é como o problema de 27 de Maio.
Porquê que o MPLA evita falar do 27 de Maio?
Mas eu acho que esses mais velhos que estão bem vivos faziam parte do elenco dele. Agostinho Neto não pegou na AK para matar ninguém e esses mais velhos estavam aonde? Estavam na Igreja a rezar? Não têm responsabilidades? Eles têm que ser coerentes e assumir o problema da mesma forma que beneficiaram das mordomias que eram dadas por Agostinho Neto, eles têm que assumir isso como um problema do MPLA, porque este é um problema do MPLA, não é um problema da nação.
Mas o MPLA não assume…
Tem que assumir. Tem que pegar nas certidões de óbito e entregar às famílias, tem que fazer um plano para ressarcir essas famílias para ver se conseguem restaurar a alma, o físico e beneficiarem alguma coisa disso. Para resolver isso o MPLA tem que pôr um ponto final nisso aqui. Agora se vai adoptar o modelo sul-africano, mas tem que assumir. Tem que evitar que as pessoas especulem à volta disso. Não adianta estarem a vir aqui no Neto, eles também têm responsabilidades para com isto. É preciso dar oportunidades aos que ficaram poderem prosperar.
Não tem que fugir, tem que resolver, está a fugir o quê?
Belisca a sua imagem…
Beliscará mais se houver amanhã, porque este poderio que temos no MPLA amanhã poderemos não ter.
E a cada dia que passa vamos vendo mais que as próprias imagens desses indivíduos estão a ficar degradadas e depois como é que ficam, vão fugir para o Congo?
Fala-se que o MPLA poderá ficar mais 50 anos no poder.
Então uma meia dúzia de pessoas vai governar a nação?
O MPLA não teve problemas mas o líder teve problemas e forçou a ida para uma segunda volta. Será que isso é que está a provocar temores hoje para arranjarmos estes artefactos todos de moções de estratégia? Eu se estivesse nas vestes de presidente do partido, eu retirava-me, conforme já anunciei em tempos atrás e não tem que estar a propor candidatos a ninguém. Tem que ajudar o partido a exercer a democracia interna e escolher-se quem será o seu sucessor.
O MPLA que não traz o debate à liça...
Posso conduzir a transição no MPLA
Quem, na sua opinião, dentro do MPLA está em condições de liderar o processo de transição no seu partido? Todos aqueles meus colegas que são comissários políticos podem levar isso avante (...) o que não está justo é pensarmos que aquilo é herança e que temos que andar a perpetuar e os órfãos que se tornaram parasitas tentarem tapar o sol com a peneira, degradarem o MPLA conforme estão a degradar e amanhã criarem-nos problemas.
A maka está nos órfãos mas eles são poucos e com grandes fortunas. Você acha que eu e outros milhares ficamos satisfeitos com essas fortunas todas? Acho que a participação foi igual e muitas vezes desigual.
Não acha que se fossem um bocadinho mais justos evitaríamos nos esforçar escrever para lá a aconselhar?
Não receia que a entrevista que nos concedeu possa levar a que seja chamado à pedra no partido?
Não receia ser mal interpretado?
Acho que, eu morto os meus filhos não hão-de se sentir bem, os meus amigos também, ao menos que me mostrem que aquilo que digo é injusto. Agora, eu não sou criado, não sou servente de nenhum quadro do partido, nem dirigente do governo. Eu sou cidadão de Angola.
Não receia ser tomado como um frustrado?
Você acha que devemos dizer que a corrupção é boa e bater palmas?
A corrupção sendo um acto imoral, o MPLA estará a precisar de uma terapia de choque global?
Nós somos muitos lá dentro. Todos aqueles meus colegas que são comissários políticos podem levar isso avante (...) o que não está justo é pensarmos que aquilo é herança e que temos que andar a perpetuar e os órfãos que se tornaram parasitas tentarem tapar o sol com a peneira, degradarem o MPLA conforme estão a degradar e amanhã criarem-nos problemas
O problema do MPLA não está no MPLA, mas na direcção. Enquanto tiverem esta direcção, nós vamos ter problemas sérios, não todos, mas estão lá pessoas que não são exemplos de moral a seguir. Têm que ver que não obstante não gostarem deste ou daquele partido têm que se lembrar que atrás destes partidos está muita gente. E que a má gestão dos nossos interesses, há-de criar sempre fissuras e desestabilização. Não seria bom que em vez de engendrarmos planos maquiavélicos começarmos a ver a nação com olhos de ver e querer resolver os problemas? Antigos dirigentes do MPLA experimentaram dissabores quando manifestaram as suas opiniões fora do círculo restrito do MPLA. Não teme consequências?
Mas no MPLA vota-se de mão levantada…
Não estou para agradar a João e Adão. Não sou do MPLA para excluir cidadãos e criar instabilidade pelo país fora. Eu não sirvo de uma boca de aluguer como costumam a aparecer uma série de activistas e vêm fazer pronunciamentos para o branqueamento de imagem a troco de dinheiro.
Temos que ser mais sérios para com essa nação.
Vai se engajar na campanha nas próximas eleições para que o MPLA vença?
Tenho reservas em relação aos que dirigem o MPLA(...) seria muito bom que o próprio MPLA também visse o problema da sucessão.
Tem participado nos congressos?
Teve oportunidade de levantar esta questão da sucessão?
Exercendo o seu direito de cidadania não levantou a questão da sucessão?
Assim fecham-se os canais às reais preocupações das bases…
Regista-se alguma evolução desde o primeiro conclave na organização?
A forma de eleição no congresso não é um handicap para que os militantes operassem mudanças na direcção do partido? Quando às vezes se ouve falar que muita gente paga para obter um cargo no sítio “X” é complicado.
Inclusivé para ser delegado?
E para o comité central?
O MPLA chegou a este estado?
Por causa do medo?
Que já se arrastam há bastante tempo…
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