sexta-feira, 9 de setembro de 2011

EUA reafirmam envolvimento de empresário moçambicano no narcotráfico

África 21
Os EUA dizem que estão preocupados com o crescente problema de tráfico de drogas em Moçambique.
Da Redação, com AIM
Maputo - Apesar das autoridades moçambicanas terem dito que não encontraram indícios suficientes do envolvimento do cidadão Mohamed Bachir Suleman no narcotráfico, os Estados Unidos da América (EUA), através da sua embaixada, em Maputo, a capital moçambicana, reiteraram hoje que ele é um traficante de drogas significativo.

Sexta-feira passada, a Procuradoria-geral da Republica (PGR) emitiu um comunicado de imprensa na qual afirmava que das averiguações feitas não se apurou nenhum “indício suficiente de prática de actos que consubstanciem o tráfico de estupefacientes ou substâncias psicotrópicas pelo cidadão Mohamed Bachir”.

Entretanto,eEle incorre em outros delitos relacionados com procedimentos aduaneiros, fiscais e de âmbito da lei cambial.

As investigações foram realizadas por uma equipa nomeada pelo Procurador-Geral da República, Augusto Paulino, a três de Junho de 2010. A mesma esteve sob direcção e supervisão de uma magistrada do Ministério Público, tendo igualmente sido solicitada a colaboração internacional da Interpol e de países como EUA, Reino Unido, Portugal e África do Sul, considerados referência na colheita de informação relevante para o processo.

Segundo o comunicado, as diligências realizadas incluíram, entre outras, a recolha, análise e tratamento de informação operativa especializada, auditorias e diversos elementos pertinentes.

Entretanto, uma nota de imprensa da Embaixada dos EUA, hoje recebida pela AIM, refere que Bachir permanece na lista de indivíduos e instituições proibidas de interacção com o sistema financeiro daquele país americano.

Na nota, a embaixada dos EUA sublinha que Bachir foi designado barão de drogas de alto nível (nível um), uma categoria reservada a indivíduos e instituições com envolvimento significativo no tráfico de narcóticos e não pode haver erro.

“Nenhuma designação do nível um foi, alguma vez, feita de forma erronea” frisa a nota de imprensa.

Na mesma nota, a embaixada explica que por uma questão de política, o Governo dos EUA não partilha com nenhum governo as informações relativas ao processo que leva a uma designação de barão de drogas.

“A nossa postura relacionada com o senhor Bachir não é exclusiva a Moçambique, é a nossa política. Porém, essa política não deve ser confundida com falta de informação para fazer uma desinformação. Temos plena confiança nos fundamentos para a designação do Senhor Bachir, examinados por sete agências do governo dos EUA”, lê-se na nota.

A Embaixada dos EUA salienta que durante as investigações realizadas pela Procuradoria-Geral da República (BGR) foram registadas violações aduaneiras, cambiais e de leis fiscais, infracções que frequentemente são consideradas fortes indícios de contrabando e outras actividades ilegais.

“Não foi surpresa para nós que estas violações tenham sido descobertas, e esperamos que mais investigações possam apurar o que essas acções ilícitas escondiam”, frisa o documento.

A nota acrescenta que “entendemos que o Senhor Bachir começou com o processo de apelação, e esperamos que ele forneça a informação solicitada sobre as suas actividades comerciais. Em muitos casos, designados do nível um, não fornecem a informação solicitada porque isso poderia revelar a verdadeira natureza dos seus negócios”.

Os EUA dizem que estão preocupados com o crescente problema de tráfico de drogas em Moçambique.

“Relatórios e apreensões recentes destacam a necessidade de tomar esta questão a sério e dedicar recursos suficientes e vontade política para acabar com esta prática perniciosa que ameaça a estabilidade”, afirma a embaixada americana.

A quando da divulgação da lista dos barões de droga no mundo, em Junho do ano passado, Bachir, um dos acusados de ser líder do narcotráfico, desafiou publicamente as autoridades norte-americanas, bem como as moçambicanas a provarem tais acusações, com todos os recursos possíveis, mesmo com o envolvimento da Interpol.

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