EUA reafirmam envolvimento de empresário moçambicano no narcotráfico
África 21
Os EUA dizem que estão preocupados com o crescente problema de tráfico de drogas em Moçambique.
Da Redação, com AIM
Sexta-feira passada, a Procuradoria-geral da Republica (PGR) emitiu um comunicado de imprensa na qual afirmava que das averiguações feitas não se apurou nenhum “indício suficiente de prática de actos que consubstanciem o tráfico de estupefacientes ou substâncias psicotrópicas pelo cidadão Mohamed Bachir”.
Entretanto,eEle incorre em outros delitos relacionados com procedimentos aduaneiros, fiscais e de âmbito da lei cambial.
As investigações foram realizadas por uma equipa nomeada pelo Procurador-Geral da República, Augusto Paulino, a três de Junho de 2010. A mesma esteve sob direcção e supervisão de uma magistrada do Ministério Público, tendo igualmente sido solicitada a colaboração internacional da Interpol e de países como EUA, Reino Unido, Portugal e África do Sul, considerados referência na colheita de informação relevante para o processo.
Segundo o comunicado, as diligências realizadas incluíram, entre outras, a recolha, análise e tratamento de informação operativa especializada, auditorias e diversos elementos pertinentes.
Entretanto, uma nota de imprensa da Embaixada dos EUA, hoje recebida pela AIM, refere que Bachir permanece na lista de indivíduos e instituições proibidas de interacção com o sistema financeiro daquele país americano.
Na nota, a embaixada dos EUA sublinha que Bachir foi designado barão de drogas de alto nível (nível um), uma categoria reservada a indivíduos e instituições com envolvimento significativo no tráfico de narcóticos e não pode haver erro.
“Nenhuma designação do nível um foi, alguma vez, feita de forma erronea” frisa a nota de imprensa.
Na mesma nota, a embaixada explica que por uma questão de política, o Governo dos EUA não partilha com nenhum governo as informações relativas ao processo que leva a uma designação de barão de drogas.
“A nossa postura relacionada com o senhor Bachir não é exclusiva a Moçambique, é a nossa política. Porém, essa política não deve ser confundida com falta de informação para fazer uma desinformação. Temos plena confiança nos fundamentos para a designação do Senhor Bachir, examinados por sete agências do governo dos EUA”, lê-se na nota.
A Embaixada dos EUA salienta que durante as investigações realizadas pela Procuradoria-Geral da República (BGR) foram registadas violações aduaneiras, cambiais e de leis fiscais, infracções que frequentemente são consideradas fortes indícios de contrabando e outras actividades ilegais.
“Não foi surpresa para nós que estas violações tenham sido descobertas, e esperamos que mais investigações possam apurar o que essas acções ilícitas escondiam”, frisa o documento.
A nota acrescenta que “entendemos que o Senhor Bachir começou com o processo de apelação, e esperamos que ele forneça a informação solicitada sobre as suas actividades comerciais. Em muitos casos, designados do nível um, não fornecem a informação solicitada porque isso poderia revelar a verdadeira natureza dos seus negócios”.
Os EUA dizem que estão preocupados com o crescente problema de tráfico de drogas em Moçambique.
“Relatórios e apreensões recentes destacam a necessidade de tomar esta questão a sério e dedicar recursos suficientes e vontade política para acabar com esta prática perniciosa que ameaça a estabilidade”, afirma a embaixada americana.
A quando da divulgação da lista dos barões de droga no mundo, em Junho do ano passado, Bachir, um dos acusados de ser líder do narcotráfico, desafiou publicamente as autoridades norte-americanas, bem como as moçambicanas a provarem tais acusações, com todos os recursos possíveis, mesmo com o envolvimento da Interpol.
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